BRASÍLIA - O deputado e agora ministro do Esporte (assume na próxima segunda) Aldo Rebelo é um personagem incomum no Congresso, na política, talvez até na vida.
Filho de um vaqueiro e uma professora primária, mais velho de oito irmãos, ficou órfão de pai aos nove anos na cidadezinha de Viçosa, em Alagoas. Começou a carreira como presidente da UNE, considera-se comunista desde sempre, é viciado em história, insiste em patriotadas e mantém hábitos modestos.
Gosta de pitar um cigarrinho artesanal, mantém a voz mansa (com forte sotaque nordestino) mesmo quando quer pular na garganta do interlocutor e é capaz de algo que a maioria -dos políticos e das pessoas- não consegue: dar de ombros à patrulha ideológica em favor de convicções.
No Código Florestal, foi acusado até de "vendido" para os ruralistas, mas não abriu mão de seu ponto de vista: utopias ambientalistas ou de esquerda não podem, e não devem, se contrapor ao interesse de milhares de pequenos produtores, nem mesmo ao agronegócio brasileiro e muito menos à própria realidade.
Fiel ao PC do B e aliado de primeira hora de Lula, de quem foi ministro para articulação política, Aldo mantém amigos em diferentes partidos, do DEM, do PSDB, do PDT... Mas vive às turras com "aliados", especialmente do PT e do PMDB, que lhe tiraram o tapete para a reeleição à presidência da Câmara e criaram um rodízio, ora um, ora outro, no cargo.
O que vai fazer no Esporte? Não se sabe, pois, além de palmeirense, ele só parece ligado ao tema pela CPI CBF-Nike, que presidiu e que não deu em nada, a não ser num livro escrito com o relator, o tucano Sílvio Torres, que acabou apreendido.
Mas figuras como Aldo, seja na Defesa, no Turismo, no Congresso... melhoram a imagem do político e a paisagem na própria política. Se quiser, puder e conseguir desbaratar os esquemas do PC do B no Esporte, melhor ainda. A conferir.
elianec@uol.com.br
BRAÇO FORTE MÃO AMIGA
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
EMBAIXO do TAPETE
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Olhando com atenção nota-se que não é necessariamente o estilo que marca a diferença entre os governos Lula e Dilma, no trato dos escândalos de corrupção.
Dilma já demitiu seis, cinco suspeitos de desvios de conduta, em dez meses. Lula só enfrentou seu primeiro caso rumoroso ao fim do segundo ano, em 2004, quando Waldomiro Diniz - o homem encarregado das relações com o Congresso na Casa Civil - apareceu em vídeo tentando achacar um "empresário" do jogo de bicho.
Daí em diante, os escândalos ocorreram na medida de um ou dois por ano, enquanto agora acontecem em espaço de tempo bem menor: mais ou menos a cada 50 dias.
Lula demorava a se render aos fatos, fazia várias manifestações de apreço aos acusados, mas, nos casos mais graves, (Palocci e o caseiro, Dirceu e o mensalão, Erenice Guerra e família) os ministros acabaram caindo.
A diferença principal é o volume de evidências que aparecem envolvendo os grupos infratores e as condições objetivas para lidar com ele.
Por que aumentaram tanto? Muito provavelmente por causa do passivo acumulado nos dois períodos anteriores, em que não houve a menor preocupação do governo em avisar aos navegantes de sua coalizão que havia regras de conduta a serem seguidas e que a legalidade era o limite.
Dilma já demitiu seis, cinco suspeitos de desvios de conduta, em dez meses. Lula só enfrentou seu primeiro caso rumoroso ao fim do segundo ano, em 2004, quando Waldomiro Diniz - o homem encarregado das relações com o Congresso na Casa Civil - apareceu em vídeo tentando achacar um "empresário" do jogo de bicho.
Daí em diante, os escândalos ocorreram na medida de um ou dois por ano, enquanto agora acontecem em espaço de tempo bem menor: mais ou menos a cada 50 dias.
Lula demorava a se render aos fatos, fazia várias manifestações de apreço aos acusados, mas, nos casos mais graves, (Palocci e o caseiro, Dirceu e o mensalão, Erenice Guerra e família) os ministros acabaram caindo.
A diferença principal é o volume de evidências que aparecem envolvendo os grupos infratores e as condições objetivas para lidar com ele.
Por que aumentaram tanto? Muito provavelmente por causa do passivo acumulado nos dois períodos anteriores, em que não houve a menor preocupação do governo em avisar aos navegantes de sua coalizão que havia regras de conduta a serem seguidas e que a legalidade era o limite.
Ao contrário: as palavras do então presidente sempre apontavam na direção da conivência, da passada de mão na cabeça, no chega para cá meu irmão que "tamo junto".
A intolerância da sociedade cresceu também por causa do grande estoque de mercadoria podre nas prateleiras oficiais. Dilma não deu um freio de arrumação genuíno na bagunça e agora paga o preço daquela tolerância toda.
Além disso, a presidente não dispõe dos dotes artísticos do antecessor e, portanto, não tem condição de levar as coisas na conversa por muito tempo.
Em todos os episódios recentes ela até deixou que por alguns dias, às vezes semanas, os partidos envolvidos tentassem evitar o desfecho inevitável na base da retórica vazia.
Em nenhum dos casos conseguiram demonstrar que as denúncias eram desprovidas de fundamento e por isso Dilma viu-se na contingência de demitir seus representantes, embora não tenha sinalizado mudança nas regras.
Fez o oposto quando todos os demitidos foram substituídos por gente ou do partido ou ligada à administração sob a qual foram cometidas as transgressões.
A intolerância da sociedade cresceu também por causa do grande estoque de mercadoria podre nas prateleiras oficiais. Dilma não deu um freio de arrumação genuíno na bagunça e agora paga o preço daquela tolerância toda.
Além disso, a presidente não dispõe dos dotes artísticos do antecessor e, portanto, não tem condição de levar as coisas na conversa por muito tempo.
Em todos os episódios recentes ela até deixou que por alguns dias, às vezes semanas, os partidos envolvidos tentassem evitar o desfecho inevitável na base da retórica vazia.
Em nenhum dos casos conseguiram demonstrar que as denúncias eram desprovidas de fundamento e por isso Dilma viu-se na contingência de demitir seus representantes, embora não tenha sinalizado mudança nas regras.
Fez o oposto quando todos os demitidos foram substituídos por gente ou do partido ou ligada à administração sob a qual foram cometidas as transgressões.
O ministro-chefe da Corregedoria-Geral da União, Jorge Hage, anuncia que o governo "estuda" a possibilidade de instituir a exigência de ficha limpa para os nomeados a cargos públicos.
Antes tarde, embora não seja preciso estudar muito para concluir que a presença de gente ilibada na gestão do patrimônio público não é obrigação básica.
A manifestação do ministro equivale a uma confissão de que nem o básico é cumprido.
Na berlinda. Aldo Rebelo ao que se saiba é um homem sério. Inteligente, perspicaz, ponderado. Assume anunciando que pretende fazer mudanças no Ministério do Esporte. Ou seja, não nega a realidade, o que já significa um avanço em relação aos outros substitutos de demitidos.
Resta saber se terá carta branca do governo e salvo-conduto do partido para fazer o que deve ser feito e de maneira realmente eficaz.
Se fizer, vai se diferenciar e evidenciar ainda mais os defeitos do modelo em vigor. Se não fizer, era uma vez uma biografia perdida no turbilhão da galeria da usina de escândalos em que se transformou a Esplanada dos Ministérios.
Denuncismo. Pouco mais de dois meses depois de deixar o Ministério da Agricultura, Wagner Rossi teve seu indiciamento pedido pela Polícia Federal por peculato, formação de quadrilha e fraude em licitações.
Uma semana antes de cair chegou a ganhar ato público de desagravo organizado pelo vice-presidente da República, Michel Temer. Na ocasião, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, discursou em defesa da "capacidade e lisura" do então ministro
Antes tarde, embora não seja preciso estudar muito para concluir que a presença de gente ilibada na gestão do patrimônio público não é obrigação básica.
A manifestação do ministro equivale a uma confissão de que nem o básico é cumprido.
Na berlinda. Aldo Rebelo ao que se saiba é um homem sério. Inteligente, perspicaz, ponderado. Assume anunciando que pretende fazer mudanças no Ministério do Esporte. Ou seja, não nega a realidade, o que já significa um avanço em relação aos outros substitutos de demitidos.
Resta saber se terá carta branca do governo e salvo-conduto do partido para fazer o que deve ser feito e de maneira realmente eficaz.
Se fizer, vai se diferenciar e evidenciar ainda mais os defeitos do modelo em vigor. Se não fizer, era uma vez uma biografia perdida no turbilhão da galeria da usina de escândalos em que se transformou a Esplanada dos Ministérios.
Denuncismo. Pouco mais de dois meses depois de deixar o Ministério da Agricultura, Wagner Rossi teve seu indiciamento pedido pela Polícia Federal por peculato, formação de quadrilha e fraude em licitações.
Uma semana antes de cair chegou a ganhar ato público de desagravo organizado pelo vice-presidente da República, Michel Temer. Na ocasião, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, discursou em defesa da "capacidade e lisura" do então ministro
A TARDIA DECISÃO DE DILMA ROUSSEFF
O Estado de S.Paulo
Só depois de a ministra Carmen Lúcia, do STF, anunciar na terça-feira que autorizara a abertura de inquérito para investigar, a pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, os convênios do Ministério do Esporte na gestão Orlando Silva, a presidente Dilma Rousseff se rendeu à evidência de que o ministro do PC do B, herdado do governo Lula, tinha perdido as condições políticas de continuar no cargo havia já dez dias, com a divulgação de novas acusações contra ele. A presidente invocou o princípio da presunção de inocência diante da denúncia de que o ministro se envolvera pessoalmente no esquema de desvio de verbas do programa Segundo Tempo, para favorecer, se não a si próprio, o seu partido.
É bem verdade que o delator, o PM do Distrito Federal João Dias Ferreira, tem ficha suja e chegou a ser preso pela Polícia Federal por suspeita de apropriação de recursos públicos. É verdade ainda que ele não apresentou provas cabais das irregularidades apontadas e que o seu comportamento, desde então, foi o de um farsante. Mas era de esperar que a verossimilhança de suas acusações, coerentes com o que já se sabia das sistemáticas maracutaias no Esporte - detalhadas neste jornal, em fevereiro último -, fosse mais do que suficiente para alertar a presidente do imperativo de se desfazer do titular de um Ministério que Lula entregara ao PC do B, já em 2003, em regime de porteira fechada.
Além disso, pesava o retrospecto de quatro escândalos que resultaram em baixas no seu Gabinete em nove meses de Planalto - um recorde na história da República. Das vezes anteriores, ela conseguiu fazer dos limões uma limonada ao personificar, perante uma opinião pública nauseada pela corrupção política, a faxina na administração federal, embora a reboque do noticiário. Agora, refém de seus dilemas, quando não do patrono Lula - arrimo durante duas semanas do militante de um partido do qual se sente devedor desde a sua primeira candidatura presidencial -, Dilma permitiu que a sua imagem ficasse contaminada pela hemorragia do ministro, atingido, dia sim, o outro também, por revelações de "malfeitos" no seu entorno.
Ela parece não ter entendido que em política não há presunção de inocência - ainda mais no Brasil, onde, ao longo do tempo, legiões de políticos fizeram por merecer a presunção de culpa. Em política, os conceitos são outros: responsabilidade e legitimação. Alheio a isso, um Orlando Silva destituído de legitimidade só dificultou a vida da chefe ao se agarrar irresponsavelmente ao posto como a ostra à pedra. Nos estertores, apelou para a ideologia de seu partido presumivelmente monolítico. A essa altura, porém, dando a batalha por perdida, os camaradas já se preocupavam mais em conservar a única pasta sob seu controle, de alto a baixo aliás, no primeiro escalão dilmista. (O PC do B tem ainda o comando da Embratur e da Agência Nacional do Petróleo.)
Tendo demorado mais do que seria razoável para despedir seu sexto ministro (apenas Nelson Jobim, da Defesa, por motivos alheios à ganância), Dilma desperdiçou a oportunidade de aparecer de novo perante a sociedade como primeira-faxineira. E perdeu, também, a ocasião de ser aplaudida pelo que seria uma decisão de alcance ainda maior - o início do desmanche do enfeudamento partidário da Esplanada dos Ministérios e cercanias. O formidável reconhecimento público com que seria premiada, se fizesse valer a lógica republicana de que um órgão de Estado não pode "pertencer" a um partido, lhe daria capital para enfrentar a zanga da base aliada, cuja ganância iguala desde o PP malufista ao PC do B da Guerrilha do Araguaia.
Pior ainda, outra vez Dilma guindou ao seu superpovoado Gabinete um político com escassa intimidade dos assuntos do setor que lhe tocará conduzir - com a agravante, no caso, de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada no horizonte. Nada consta que desabone o deputado Aldo Rebelo, de quem se falava para o Ministério antes até do tardio velório de Orlando Silva. Mas tampouco consta que ele tenha o mapa do que o memorável técnico João Saldanha chamaria os subterrâneos do esporte.
É bem verdade que o delator, o PM do Distrito Federal João Dias Ferreira, tem ficha suja e chegou a ser preso pela Polícia Federal por suspeita de apropriação de recursos públicos. É verdade ainda que ele não apresentou provas cabais das irregularidades apontadas e que o seu comportamento, desde então, foi o de um farsante. Mas era de esperar que a verossimilhança de suas acusações, coerentes com o que já se sabia das sistemáticas maracutaias no Esporte - detalhadas neste jornal, em fevereiro último -, fosse mais do que suficiente para alertar a presidente do imperativo de se desfazer do titular de um Ministério que Lula entregara ao PC do B, já em 2003, em regime de porteira fechada.
Além disso, pesava o retrospecto de quatro escândalos que resultaram em baixas no seu Gabinete em nove meses de Planalto - um recorde na história da República. Das vezes anteriores, ela conseguiu fazer dos limões uma limonada ao personificar, perante uma opinião pública nauseada pela corrupção política, a faxina na administração federal, embora a reboque do noticiário. Agora, refém de seus dilemas, quando não do patrono Lula - arrimo durante duas semanas do militante de um partido do qual se sente devedor desde a sua primeira candidatura presidencial -, Dilma permitiu que a sua imagem ficasse contaminada pela hemorragia do ministro, atingido, dia sim, o outro também, por revelações de "malfeitos" no seu entorno.
Ela parece não ter entendido que em política não há presunção de inocência - ainda mais no Brasil, onde, ao longo do tempo, legiões de políticos fizeram por merecer a presunção de culpa. Em política, os conceitos são outros: responsabilidade e legitimação. Alheio a isso, um Orlando Silva destituído de legitimidade só dificultou a vida da chefe ao se agarrar irresponsavelmente ao posto como a ostra à pedra. Nos estertores, apelou para a ideologia de seu partido presumivelmente monolítico. A essa altura, porém, dando a batalha por perdida, os camaradas já se preocupavam mais em conservar a única pasta sob seu controle, de alto a baixo aliás, no primeiro escalão dilmista. (O PC do B tem ainda o comando da Embratur e da Agência Nacional do Petróleo.)
Tendo demorado mais do que seria razoável para despedir seu sexto ministro (apenas Nelson Jobim, da Defesa, por motivos alheios à ganância), Dilma desperdiçou a oportunidade de aparecer de novo perante a sociedade como primeira-faxineira. E perdeu, também, a ocasião de ser aplaudida pelo que seria uma decisão de alcance ainda maior - o início do desmanche do enfeudamento partidário da Esplanada dos Ministérios e cercanias. O formidável reconhecimento público com que seria premiada, se fizesse valer a lógica republicana de que um órgão de Estado não pode "pertencer" a um partido, lhe daria capital para enfrentar a zanga da base aliada, cuja ganância iguala desde o PP malufista ao PC do B da Guerrilha do Araguaia.
Pior ainda, outra vez Dilma guindou ao seu superpovoado Gabinete um político com escassa intimidade dos assuntos do setor que lhe tocará conduzir - com a agravante, no caso, de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada no horizonte. Nada consta que desabone o deputado Aldo Rebelo, de quem se falava para o Ministério antes até do tardio velório de Orlando Silva. Mas tampouco consta que ele tenha o mapa do que o memorável técnico João Saldanha chamaria os subterrâneos do esporte.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Novo Ministro, recebeu DOAÇÕES de dois patrocinadores da CBF, como a BANCADA da BOLA
Ex-inimigo de Ricardo Teixeira, o novo ministro do Esporte recebeu doações de dois patrocinadores da CBF em sua última campanha para se eleger deputado federal, em 2010.
Como o blog mostrou na última terça, o membro do PC do B paulista recebeu R$ 30 mil da Fratelli Vita Bebidas. A empresa pertence a AmBev, que patrocina a seleção brasileira com o Guaraná Antarctica. Do Banco Itaú, outro patrocinador da CBF, Aldo recebeu R$ 50 mil.
As duas empresas contribuíram para uma lista grande de candidatos, abraçando todas as correntes políticas. Nos dois casos, há candidatos da bancada da bola beneficiados. E Aldo Rebelo, que se aproximou da CBF nos útlimos anos, recebeu as mesmas quantias dadas aos amigos de Ricardo Teixeira candidatos a uma vaga na Câmara.
Cartolas e alguns colegas de Aldo hoje o consideram também um integrante da bancada da bola, que tem os deputados federais José Rocha (PR-BA) e Darcísio Perondi (PMDB-RS) e o senador Delcidio Amaral (PT-RS) como alguns de seus representantes.
A Fratelli Vitta dou R$ 30 mil também para Rocha e para Perondi, assim como fez com Aldo. Ligado ao Vitória, o baiano é aliado histórico de Teixeira. Já o gaúcho é irmão de Emídio Perondi, ex-presidente da Federação do Rio Grande do Sul e ex-vice da CBF.
Perondi e Delcídio, outro antigo amigo da CBF, também aparecem na lista de doadores do Banco Itaú. Perondi recebeu os mesmos R$ 50 mil dados para Aldo. E Delcídio levou R$ 300 mil. As doações para Perondi e Delcídio foram feitas no mesmo dia, 13 de agosto de 2010. Aldo recebeu em 29 de setembro.
É curioso lembrar que como presidente da CPI da CBF/Nike o atual ministro examinava com lupa doações da CBF e de seus patrocinadores para candidatos.
Sua aproximação com Teixeira foi intermediada por Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, time de coração do comunista.
Numa das festas de encerramento do Brasileirão, vi e ouvi cartolas se divertindo com a presença do deputado. “Vejam quem está tomando o uísque do Ricardo. É o Aldo”, disse um dos dirigentes, notando o início da paz entre ex-caçador e caça.
Agora, no comando do ministério, Aldo estará envolvido em ao menos uma questão crucial para um dos patrocinadores da CBF, da Fifa e de sua campanha: a venda de cerveja nos estádios. A InBev é dona da Budweiser, cerveja oficial da Copa.
Como o blog mostrou na última terça, o membro do PC do B paulista recebeu R$ 30 mil da Fratelli Vita Bebidas. A empresa pertence a AmBev, que patrocina a seleção brasileira com o Guaraná Antarctica. Do Banco Itaú, outro patrocinador da CBF, Aldo recebeu R$ 50 mil.
As duas empresas contribuíram para uma lista grande de candidatos, abraçando todas as correntes políticas. Nos dois casos, há candidatos da bancada da bola beneficiados. E Aldo Rebelo, que se aproximou da CBF nos útlimos anos, recebeu as mesmas quantias dadas aos amigos de Ricardo Teixeira candidatos a uma vaga na Câmara.
Cartolas e alguns colegas de Aldo hoje o consideram também um integrante da bancada da bola, que tem os deputados federais José Rocha (PR-BA) e Darcísio Perondi (PMDB-RS) e o senador Delcidio Amaral (PT-RS) como alguns de seus representantes.
A Fratelli Vitta dou R$ 30 mil também para Rocha e para Perondi, assim como fez com Aldo. Ligado ao Vitória, o baiano é aliado histórico de Teixeira. Já o gaúcho é irmão de Emídio Perondi, ex-presidente da Federação do Rio Grande do Sul e ex-vice da CBF.
Perondi e Delcídio, outro antigo amigo da CBF, também aparecem na lista de doadores do Banco Itaú. Perondi recebeu os mesmos R$ 50 mil dados para Aldo. E Delcídio levou R$ 300 mil. As doações para Perondi e Delcídio foram feitas no mesmo dia, 13 de agosto de 2010. Aldo recebeu em 29 de setembro.
É curioso lembrar que como presidente da CPI da CBF/Nike o atual ministro examinava com lupa doações da CBF e de seus patrocinadores para candidatos.
Sua aproximação com Teixeira foi intermediada por Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, time de coração do comunista.
Numa das festas de encerramento do Brasileirão, vi e ouvi cartolas se divertindo com a presença do deputado. “Vejam quem está tomando o uísque do Ricardo. É o Aldo”, disse um dos dirigentes, notando o início da paz entre ex-caçador e caça.
Agora, no comando do ministério, Aldo estará envolvido em ao menos uma questão crucial para um dos patrocinadores da CBF, da Fifa e de sua campanha: a venda de cerveja nos estádios. A InBev é dona da Budweiser, cerveja oficial da Copa.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
VIVEMOS A DITADURA DO EXECUTIVO!!!!!!
Primeiramente temos de dar impressão de que somos democratas. No início
teremos que aceitar certas coisas. Mais isto não durará muito tempo.
MARCO AURÉLIO GARCIA
ASSESSOR ESPECIAL PARA POLÍTICA EXTERNA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
FAÇA A ESQUERDA FICAR COM RAIVA, DIZENDO A VERDADE!
Não há Justiça no nosso País, pois, a politicagem brasileira é quem manda
e é mestra em defender bandido. Ladrão ou mesmo assassino, quando de
esquerda, merece uma onda de artigos que os defendem com toda garra. O
celebre assassino dos últimos tempos foi O CASO CESARE BATTISTI.
COM o MESMO TÍTULO O CASO CESARE BATTISTI - acaba de ser publicado o
livro do mestre em direito WALTER FILHO que sem a paixão idiota de
ideologia mostra a vida deste facínora internacional. O apresentador da
obra mestre em Direito, professor Dimas Macedo - afirma: Luiz Inácio
Lula da Silva, indiscutivelmente, no caso específico de BATTISTI,
ratificou o fato de que o Brasil não é um País sério e logo depois
aponta: E, ainda, que seja doloroso saber que o estelionato, o abuso do
Poder político no Brasil e a improbidade são as novas moedas do poder
político no Brasil ....
O PCI (Partido Comunista Italiano) era do governo, na época, dos crimes
cometidos por eles e não os defendia. Logo não venham com a conversa de
direita, burguesia ou poder do dinheiro.
Quem é este cidadão italiano? Quais os crimes praticados antes de entrar
para o tal PAC (proletários armados pelos comunistas)? Vamos listá-los: 1
-13 de março de 1972, com 17 anos, fez parte de furto de uma máquina de
escrever e de dois veículos Fiat; 2 Maio de 1974 foi denunciado pelo
rapto de menores e uso de violência,na prática libidinosa de menores e no
mesmo ano, agressão ao tio de uma das menores; 3 em 3 de agosto de
1974, em Sabandia, praticou arruaças e assalto com arma de fogo e foi
preso pela polícia, permanecendo nesta situação, até 1976; 4 - em 1977
foi preso por julgamento de crimes praticados, anteriormente; 5 - foi
preso no dia 26 de junho de 1979, fugindo da prisão a 4 de outubro do mesmo
ano, com ajuda dos seus comparsas do PAC.
Depois de todos estes crimes, entra para o tal PAC, no final de 1997 e aí
praticou atos de vandalismo, roubo, lesões corporais e crimes de sangue. a
em 14 de abr de 1978 participou do assalto aos correios de VERONA; b.
praticou ferimentos graves no médico GIORGE ROSSANIGO, em 6 de maio de
1978; c Lesões graves no médico DIEGO FAVA, em 8 de maio de 1978,
sendo os tiros efetuados por BATTISTI E ROBERTO SILVI; d em 22 de
julho de 1978, roubou e danificou o supermercado ROSSETTO, NA CIDADE DE
VERONA; e em 7 de agosto de 1978 roubou o correio postal e a ele
danificou. em VERONA; f atentado contra o agente de custódia Arturo
Nigro em 24 de outubro de 1978; g - participou de quatro assassinatos
sendo acusado de ser o executor de dois deles, num terceiro, como
mandante, e num quarto, como co-autor. Morreram assassinados: ANTÔNIO
SANTORO, EM 6 DE JUNHO DE 1978; PIERLUIGI FORREGIANI em 16 de fevereiro de
1979; LINO SABBADIN em 16 de fev de 1979 e ANDRE CAMPAGNA, em de abril de
1979; h Ainda é acusado do seqüestro de Sandra Baggiani, em dezembro de
1978 e participar do assalto ao Banco Popular de Milão em 20 de julho de
1978.
Além de todos estes crimes, ainda entrou no Brasil com passaporte falso e
só isso já não permitia que aqui ficasse, passeando pelas praias de
Copacabana.
Este criminoso foi condenado pelas JUSTIÇAS DA FRANÇA, ITÁLIA e pela Corte
Européia de Direitos Humanos. A Justiça Brasileira é a única certa? Ou são
bandidos o presidente e o ministro da justiça?
O livro do Dr emérito Walter Filho conta os detalhes.
No Brasil, o bandido teve a proteção do Presidente da República e
ministro da Justiça. O Brasil não é um País sério e seus dirigentes
irresponsáveis.
O GRUPO GUARARAPES bate palmas para o Dr. Walter Filho e mais uma vez
afirma:
DEMOCRACIA É O CUMPRIMENTO DA LEI! VIVEMOS A DITADURA DO EXECUTIVO.
Primeiramente temos de dar impressão de que somos democratas. No início
teremos que aceitar certas coisas. Mais isto não durará muito tempo.
MARCO AURÉLIO GARCIA
ASSESSOR ESPECIAL PARA POLÍTICA EXTERNA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
FAÇA A ESQUERDA FICAR COM RAIVA, DIZENDO A VERDADE!
Não há Justiça no nosso País, pois, a politicagem brasileira é quem manda
e é mestra em defender bandido. Ladrão ou mesmo assassino, quando de
esquerda, merece uma onda de artigos que os defendem com toda garra. O
celebre assassino dos últimos tempos foi O CASO CESARE BATTISTI.
COM o MESMO TÍTULO O CASO CESARE BATTISTI - acaba de ser publicado o
livro do mestre em direito WALTER FILHO que sem a paixão idiota de
ideologia mostra a vida deste facínora internacional. O apresentador da
obra mestre em Direito, professor Dimas Macedo - afirma: Luiz Inácio
Lula da Silva, indiscutivelmente, no caso específico de BATTISTI,
ratificou o fato de que o Brasil não é um País sério e logo depois
aponta: E, ainda, que seja doloroso saber que o estelionato, o abuso do
Poder político no Brasil e a improbidade são as novas moedas do poder
político no Brasil ....
O PCI (Partido Comunista Italiano) era do governo, na época, dos crimes
cometidos por eles e não os defendia. Logo não venham com a conversa de
direita, burguesia ou poder do dinheiro.
Quem é este cidadão italiano? Quais os crimes praticados antes de entrar
para o tal PAC (proletários armados pelos comunistas)? Vamos listá-los: 1
-13 de março de 1972, com 17 anos, fez parte de furto de uma máquina de
escrever e de dois veículos Fiat; 2 Maio de 1974 foi denunciado pelo
rapto de menores e uso de violência,na prática libidinosa de menores e no
mesmo ano, agressão ao tio de uma das menores; 3 em 3 de agosto de
1974, em Sabandia, praticou arruaças e assalto com arma de fogo e foi
preso pela polícia, permanecendo nesta situação, até 1976; 4 - em 1977
foi preso por julgamento de crimes praticados, anteriormente; 5 - foi
preso no dia 26 de junho de 1979, fugindo da prisão a 4 de outubro do mesmo
ano, com ajuda dos seus comparsas do PAC.
Depois de todos estes crimes, entra para o tal PAC, no final de 1997 e aí
praticou atos de vandalismo, roubo, lesões corporais e crimes de sangue. a
em 14 de abr de 1978 participou do assalto aos correios de VERONA; b.
praticou ferimentos graves no médico GIORGE ROSSANIGO, em 6 de maio de
1978; c Lesões graves no médico DIEGO FAVA, em 8 de maio de 1978,
sendo os tiros efetuados por BATTISTI E ROBERTO SILVI; d em 22 de
julho de 1978, roubou e danificou o supermercado ROSSETTO, NA CIDADE DE
VERONA; e em 7 de agosto de 1978 roubou o correio postal e a ele
danificou. em VERONA; f atentado contra o agente de custódia Arturo
Nigro em 24 de outubro de 1978; g - participou de quatro assassinatos
sendo acusado de ser o executor de dois deles, num terceiro, como
mandante, e num quarto, como co-autor. Morreram assassinados: ANTÔNIO
SANTORO, EM 6 DE JUNHO DE 1978; PIERLUIGI FORREGIANI em 16 de fevereiro de
1979; LINO SABBADIN em 16 de fev de 1979 e ANDRE CAMPAGNA, em de abril de
1979; h Ainda é acusado do seqüestro de Sandra Baggiani, em dezembro de
1978 e participar do assalto ao Banco Popular de Milão em 20 de julho de
1978.
Além de todos estes crimes, ainda entrou no Brasil com passaporte falso e
só isso já não permitia que aqui ficasse, passeando pelas praias de
Copacabana.
Este criminoso foi condenado pelas JUSTIÇAS DA FRANÇA, ITÁLIA e pela Corte
Européia de Direitos Humanos. A Justiça Brasileira é a única certa? Ou são
bandidos o presidente e o ministro da justiça?
O livro do Dr emérito Walter Filho conta os detalhes.
No Brasil, o bandido teve a proteção do Presidente da República e
ministro da Justiça. O Brasil não é um País sério e seus dirigentes
irresponsáveis.
O GRUPO GUARARAPES bate palmas para o Dr. Walter Filho e mais uma vez
afirma:
DEMOCRACIA É O CUMPRIMENTO DA LEI! VIVEMOS A DITADURA DO EXECUTIVO.
teremos que aceitar certas coisas. Mais isto não durará muito tempo.
MARCO AURÉLIO GARCIA
ASSESSOR ESPECIAL PARA POLÍTICA EXTERNA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
FAÇA A ESQUERDA FICAR COM RAIVA, DIZENDO A VERDADE!
Não há Justiça no nosso País, pois, a politicagem brasileira é quem manda
e é mestra em defender bandido. Ladrão ou mesmo assassino, quando de
esquerda, merece uma onda de artigos que os defendem com toda garra. O
celebre assassino dos últimos tempos foi O CASO CESARE BATTISTI.
COM o MESMO TÍTULO O CASO CESARE BATTISTI - acaba de ser publicado o
livro do mestre em direito WALTER FILHO que sem a paixão idiota de
ideologia mostra a vida deste facínora internacional. O apresentador da
obra mestre em Direito, professor Dimas Macedo - afirma: Luiz Inácio
Lula da Silva, indiscutivelmente, no caso específico de BATTISTI,
ratificou o fato de que o Brasil não é um País sério e logo depois
aponta: E, ainda, que seja doloroso saber que o estelionato, o abuso do
Poder político no Brasil e a improbidade são as novas moedas do poder
político no Brasil ....
O PCI (Partido Comunista Italiano) era do governo, na época, dos crimes
cometidos por eles e não os defendia. Logo não venham com a conversa de
direita, burguesia ou poder do dinheiro.
Quem é este cidadão italiano? Quais os crimes praticados antes de entrar
para o tal PAC (proletários armados pelos comunistas)? Vamos listá-los: 1
-13 de março de 1972, com 17 anos, fez parte de furto de uma máquina de
escrever e de dois veículos Fiat; 2 Maio de 1974 foi denunciado pelo
rapto de menores e uso de violência,na prática libidinosa de menores e no
mesmo ano, agressão ao tio de uma das menores; 3 em 3 de agosto de
1974, em Sabandia, praticou arruaças e assalto com arma de fogo e foi
preso pela polícia, permanecendo nesta situação, até 1976; 4 - em 1977
foi preso por julgamento de crimes praticados, anteriormente; 5 - foi
preso no dia 26 de junho de 1979, fugindo da prisão a 4 de outubro do mesmo
ano, com ajuda dos seus comparsas do PAC.
Depois de todos estes crimes, entra para o tal PAC, no final de 1997 e aí
praticou atos de vandalismo, roubo, lesões corporais e crimes de sangue. a
em 14 de abr de 1978 participou do assalto aos correios de VERONA; b.
praticou ferimentos graves no médico GIORGE ROSSANIGO, em 6 de maio de
1978; c Lesões graves no médico DIEGO FAVA, em 8 de maio de 1978,
sendo os tiros efetuados por BATTISTI E ROBERTO SILVI; d em 22 de
julho de 1978, roubou e danificou o supermercado ROSSETTO, NA CIDADE DE
VERONA; e em 7 de agosto de 1978 roubou o correio postal e a ele
danificou. em VERONA; f atentado contra o agente de custódia Arturo
Nigro em 24 de outubro de 1978; g - participou de quatro assassinatos
sendo acusado de ser o executor de dois deles, num terceiro, como
mandante, e num quarto, como co-autor. Morreram assassinados: ANTÔNIO
SANTORO, EM 6 DE JUNHO DE 1978; PIERLUIGI FORREGIANI em 16 de fevereiro de
1979; LINO SABBADIN em 16 de fev de 1979 e ANDRE CAMPAGNA, em de abril de
1979; h Ainda é acusado do seqüestro de Sandra Baggiani, em dezembro de
1978 e participar do assalto ao Banco Popular de Milão em 20 de julho de
1978.
Além de todos estes crimes, ainda entrou no Brasil com passaporte falso e
só isso já não permitia que aqui ficasse, passeando pelas praias de
Copacabana.
Este criminoso foi condenado pelas JUSTIÇAS DA FRANÇA, ITÁLIA e pela Corte
Européia de Direitos Humanos. A Justiça Brasileira é a única certa? Ou são
bandidos o presidente e o ministro da justiça?
O livro do Dr emérito Walter Filho conta os detalhes.
No Brasil, o bandido teve a proteção do Presidente da República e
ministro da Justiça. O Brasil não é um País sério e seus dirigentes
irresponsáveis.
O GRUPO GUARARAPES bate palmas para o Dr. Walter Filho e mais uma vez
afirma:
DEMOCRACIA É O CUMPRIMENTO DA LEI! VIVEMOS A DITADURA DO EXECUTIVO.
Primeiramente temos de dar impressão de que somos democratas. No início
teremos que aceitar certas coisas. Mais isto não durará muito tempo.
MARCO AURÉLIO GARCIA
ASSESSOR ESPECIAL PARA POLÍTICA EXTERNA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
FAÇA A ESQUERDA FICAR COM RAIVA, DIZENDO A VERDADE!
Não há Justiça no nosso País, pois, a politicagem brasileira é quem manda
e é mestra em defender bandido. Ladrão ou mesmo assassino, quando de
esquerda, merece uma onda de artigos que os defendem com toda garra. O
celebre assassino dos últimos tempos foi O CASO CESARE BATTISTI.
COM o MESMO TÍTULO O CASO CESARE BATTISTI - acaba de ser publicado o
livro do mestre em direito WALTER FILHO que sem a paixão idiota de
ideologia mostra a vida deste facínora internacional. O apresentador da
obra mestre em Direito, professor Dimas Macedo - afirma: Luiz Inácio
Lula da Silva, indiscutivelmente, no caso específico de BATTISTI,
ratificou o fato de que o Brasil não é um País sério e logo depois
aponta: E, ainda, que seja doloroso saber que o estelionato, o abuso do
Poder político no Brasil e a improbidade são as novas moedas do poder
político no Brasil ....
O PCI (Partido Comunista Italiano) era do governo, na época, dos crimes
cometidos por eles e não os defendia. Logo não venham com a conversa de
direita, burguesia ou poder do dinheiro.
Quem é este cidadão italiano? Quais os crimes praticados antes de entrar
para o tal PAC (proletários armados pelos comunistas)? Vamos listá-los: 1
-13 de março de 1972, com 17 anos, fez parte de furto de uma máquina de
escrever e de dois veículos Fiat; 2 Maio de 1974 foi denunciado pelo
rapto de menores e uso de violência,na prática libidinosa de menores e no
mesmo ano, agressão ao tio de uma das menores; 3 em 3 de agosto de
1974, em Sabandia, praticou arruaças e assalto com arma de fogo e foi
preso pela polícia, permanecendo nesta situação, até 1976; 4 - em 1977
foi preso por julgamento de crimes praticados, anteriormente; 5 - foi
preso no dia 26 de junho de 1979, fugindo da prisão a 4 de outubro do mesmo
ano, com ajuda dos seus comparsas do PAC.
Depois de todos estes crimes, entra para o tal PAC, no final de 1997 e aí
praticou atos de vandalismo, roubo, lesões corporais e crimes de sangue. a
em 14 de abr de 1978 participou do assalto aos correios de VERONA; b.
praticou ferimentos graves no médico GIORGE ROSSANIGO, em 6 de maio de
1978; c Lesões graves no médico DIEGO FAVA, em 8 de maio de 1978,
sendo os tiros efetuados por BATTISTI E ROBERTO SILVI; d em 22 de
julho de 1978, roubou e danificou o supermercado ROSSETTO, NA CIDADE DE
VERONA; e em 7 de agosto de 1978 roubou o correio postal e a ele
danificou. em VERONA; f atentado contra o agente de custódia Arturo
Nigro em 24 de outubro de 1978; g - participou de quatro assassinatos
sendo acusado de ser o executor de dois deles, num terceiro, como
mandante, e num quarto, como co-autor. Morreram assassinados: ANTÔNIO
SANTORO, EM 6 DE JUNHO DE 1978; PIERLUIGI FORREGIANI em 16 de fevereiro de
1979; LINO SABBADIN em 16 de fev de 1979 e ANDRE CAMPAGNA, em de abril de
1979; h Ainda é acusado do seqüestro de Sandra Baggiani, em dezembro de
1978 e participar do assalto ao Banco Popular de Milão em 20 de julho de
1978.
Além de todos estes crimes, ainda entrou no Brasil com passaporte falso e
só isso já não permitia que aqui ficasse, passeando pelas praias de
Copacabana.
Este criminoso foi condenado pelas JUSTIÇAS DA FRANÇA, ITÁLIA e pela Corte
Européia de Direitos Humanos. A Justiça Brasileira é a única certa? Ou são
bandidos o presidente e o ministro da justiça?
O livro do Dr emérito Walter Filho conta os detalhes.
No Brasil, o bandido teve a proteção do Presidente da República e
ministro da Justiça. O Brasil não é um País sério e seus dirigentes
irresponsáveis.
O GRUPO GUARARAPES bate palmas para o Dr. Walter Filho e mais uma vez
afirma:
DEMOCRACIA É O CUMPRIMENTO DA LEI! VIVEMOS A DITADURA DO EXECUTIVO.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Como é Sra.Rousseff, vamos fazer uma REFORMA MINISTERIAL????
Crise é oportunidade para reforma ministerial e administrativa
A crise no ministério dos Esportes, na seqüência dos Transportes, Agricultura e Turismo, revela uma prática comum de desvio de verbas públicas para fins partidários e projeta novos escândalos no governo Dilma Rousseff.
O caso não difere dos que o precederam: autoridades do primeiro escalão governamental respaldam um esquema de patrocínio partidário através de ONGs que não resistem ao simples exame de idoneidade que deveria anteceder a aprovação de convênios milionários.
Na mesma rota está o Ministério das Cidades, por exemplo, cujo titular, Mário Negromonte, sequer se preocupou em defender-se das acusações de patrocinar um mensalão dentro de seu partido, o PP. Limitou-se a ameaçar seus denunciantes, como ocorre agora com o PC do B em relação ao PT.
A ironia máxima é que o esquema de cobrança de propina do ministério dos Esportes ocorria dentro de uma sala cedida pelo Dnit, órgão protagonista do esquema de corrupção no ministério dos Transportes, segundo denúncia do soldado da PM, João Dias Ferreira.
Este, por sinal, protagonista de outros escândalos no governo do Distrito Federal, de quem se diz credor também e onde faz exigências em troca do silêncio sobre o que conhece da campanha que elegeu Agnelo Queiroz governador e sobre os esquemas montados dentro de seu governo.
Se admitida como comum, a prática pode impor à presidente Dilma Rousseff mais que uma reforma ministerial – uma reforma também administrativa, com enxugamento de estruturas.
Além de necessária é uma oportunidade para afirmação de autoridade política da presidente.
Essa expectativa já é detectável nos meios políticos, assim como se discute informalmente a conveniência de manter a previsão da reforma para o ano que vem.
Alguns temem que a pressão característica de ano de campanha eleitoral contamine a reforma ministerial e restrinja a autonomia da presidente para a reformulação de sua equipe, o que, em tese, não ocorreria agora.
A sucessão de escândalos em contraste com a falta de gestão no governo dá nitidez à ineficiência de, pelo menos, 80% dos 37 ministérios, já que a percepção de gerenciamento se restringe praticamente a área econômica.
Trocando em miúdos, está cada vez maior a convicção geral de que há ministério demais e resultado de menos – e cada vez mais corrupção.
João Bosco Rabello - O Estado de São Paulo- 20/10/2011
O caso não difere dos que o precederam: autoridades do primeiro escalão governamental respaldam um esquema de patrocínio partidário através de ONGs que não resistem ao simples exame de idoneidade que deveria anteceder a aprovação de convênios milionários.
Na mesma rota está o Ministério das Cidades, por exemplo, cujo titular, Mário Negromonte, sequer se preocupou em defender-se das acusações de patrocinar um mensalão dentro de seu partido, o PP. Limitou-se a ameaçar seus denunciantes, como ocorre agora com o PC do B em relação ao PT.
A ironia máxima é que o esquema de cobrança de propina do ministério dos Esportes ocorria dentro de uma sala cedida pelo Dnit, órgão protagonista do esquema de corrupção no ministério dos Transportes, segundo denúncia do soldado da PM, João Dias Ferreira.
Este, por sinal, protagonista de outros escândalos no governo do Distrito Federal, de quem se diz credor também e onde faz exigências em troca do silêncio sobre o que conhece da campanha que elegeu Agnelo Queiroz governador e sobre os esquemas montados dentro de seu governo.
Se admitida como comum, a prática pode impor à presidente Dilma Rousseff mais que uma reforma ministerial – uma reforma também administrativa, com enxugamento de estruturas.
Além de necessária é uma oportunidade para afirmação de autoridade política da presidente.
Essa expectativa já é detectável nos meios políticos, assim como se discute informalmente a conveniência de manter a previsão da reforma para o ano que vem.
Alguns temem que a pressão característica de ano de campanha eleitoral contamine a reforma ministerial e restrinja a autonomia da presidente para a reformulação de sua equipe, o que, em tese, não ocorreria agora.
A sucessão de escândalos em contraste com a falta de gestão no governo dá nitidez à ineficiência de, pelo menos, 80% dos 37 ministérios, já que a percepção de gerenciamento se restringe praticamente a área econômica.
Trocando em miúdos, está cada vez maior a convicção geral de que há ministério demais e resultado de menos – e cada vez mais corrupção.
João Bosco Rabello - O Estado de São Paulo- 20/10/2011
USINAS de denúncias. Dora Kramer
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Entre o escândalo que derrubou Antônio Palocci da Casa Civil e as acusações que enfrenta agora o ministro Orlando Silva, do Esporte, muita coisa mudou no gestual do governo no tocante à reação a denúncias feitas contra seus integrantes, não obstante a semelhança dos roteiros.
Palocci foi defendido durante boa parte dos 23 dias que levou para cair. Nesse meio tempo o Palácio do Planalto montou operação de blindagem que incluiu tentativa de responsabilizar a oposição e mobilização dos aliados para impedir que o então ministro fosse convidado a falar no Congresso.
Palocci saiu da Casa Civil no dia 7 de junho, mas duas semanas antes o governo falava em "campanha de difamação" e recomendava à sua base parlamentar que tivesse "sangue frio e nervos de aço" para reagir às acusações.
O presidente do PT, Rui Falcão, asseverava que o governo estava tranquilo e convicto de que Palocci estava "acima de qualquer suspeita".
A ofensiva, no entanto, não resistiu à força dos fatos. A partir de então, a metodologia foi sendo alterada e as quedas abreviadas. Falemos apenas dos episódios referentes a desvio de dinheiro, que não foi o caso de Nelson Jobim.
Alfredo Nascimento, dos Transportes, contou algum tempo com manifestações de "confiança" por parte da presidente e chegou a ser nomeado chefe das investigações. Mas ali já se viu que o melhor era que fosse ao Congresso logo.
O mesmo ocorreu com Wagner Rossi, da Agricultura, que teve ato de desagravo organizado pelo vice-presidente da República em pessoa, mas sua trajetória descendente ficou clara nas avaliações negativas feitas por integrantes do governo.
Pedro Novais, do Turismo, foi desde o início deixado ao sol e à chuva pelo próprio partido, o PMDB. Dilma não se envolveu, apesar de estar envolvida desde o dia em que aceitou nomeá-lo a despeito de evidências de que fazia uso ilegal de verba do Congresso.
Orlando Silva tampouco conta com sustentação assertiva do governo, conforme atestam as avaliações de que se não cair agora cai na reforma de janeiro.
Além disso, a presidente avocou ao palácio a tarefa de conduzir os assuntos relativos à realização da Copa do Mundo.
O Palácio do Planalto mudou de Palocci em diante. Parece mais interessado em afastar de si o cálice das crises do que em defender ministros.
Seria um ponto positivo, não fosse o fato de que a presidente não demonstra o mesmo interesse em cuidar do principal: o ponto de união entre todos esses escândalos que é o desvio de verbas públicas nos ministérios.
Em todos houve um denunciante motivado por alguma contrariedade. Todos decorreram do mesmo tipo de acusação, a montagem de esquemas de arrecadação de dinheiro para favorecimentos pessoais ou partidários.
Em todos, funcionários ou mesmo figuras sem função oficial atuavam com acesso livre para transgredir.
A hipótese de conspirações para destruir reputações de ministros é fantasiosa. Real é a prática disseminada de apropriação do Estado funcionando a partir do loteamento da máquina.
São usinas de denúncias que seguirão inesgotáveis enquanto o governo mantiver intactos esses "esquemas".
Palavrório. Deputados e senadores da base governista infantilizam o debate sobre o escândalo em curso quando se limitam a adjetivar elogiosamente o ministro e, ao mesmo tempo, chovem no molhado do conhecido prontuário do acusador.
Não há sustentação de defesa que responda à questão essencial: há ou não há desvio de verbas públicas do ministério?
A própria insistência em ressaltar os crimes do denunciante, cometidos no âmbito da pasta do Esporte, é a admissão de que fala com conhecimento de causa.
O critério do prontuário, aliás, é desqualificado pelo próprio PT quando partido e sua área de influência celebram os réus do mensalão e os tratam como cidadãos acima de qualquer suspeita.
No Parlamento, o exemplo mais evidente é a presença de João Paulo Cunha na presidência de nada menos que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Palocci foi defendido durante boa parte dos 23 dias que levou para cair. Nesse meio tempo o Palácio do Planalto montou operação de blindagem que incluiu tentativa de responsabilizar a oposição e mobilização dos aliados para impedir que o então ministro fosse convidado a falar no Congresso.
Palocci saiu da Casa Civil no dia 7 de junho, mas duas semanas antes o governo falava em "campanha de difamação" e recomendava à sua base parlamentar que tivesse "sangue frio e nervos de aço" para reagir às acusações.
O presidente do PT, Rui Falcão, asseverava que o governo estava tranquilo e convicto de que Palocci estava "acima de qualquer suspeita".
A ofensiva, no entanto, não resistiu à força dos fatos. A partir de então, a metodologia foi sendo alterada e as quedas abreviadas. Falemos apenas dos episódios referentes a desvio de dinheiro, que não foi o caso de Nelson Jobim.
Alfredo Nascimento, dos Transportes, contou algum tempo com manifestações de "confiança" por parte da presidente e chegou a ser nomeado chefe das investigações. Mas ali já se viu que o melhor era que fosse ao Congresso logo.
O mesmo ocorreu com Wagner Rossi, da Agricultura, que teve ato de desagravo organizado pelo vice-presidente da República em pessoa, mas sua trajetória descendente ficou clara nas avaliações negativas feitas por integrantes do governo.
Pedro Novais, do Turismo, foi desde o início deixado ao sol e à chuva pelo próprio partido, o PMDB. Dilma não se envolveu, apesar de estar envolvida desde o dia em que aceitou nomeá-lo a despeito de evidências de que fazia uso ilegal de verba do Congresso.
Orlando Silva tampouco conta com sustentação assertiva do governo, conforme atestam as avaliações de que se não cair agora cai na reforma de janeiro.
Além disso, a presidente avocou ao palácio a tarefa de conduzir os assuntos relativos à realização da Copa do Mundo.
O Palácio do Planalto mudou de Palocci em diante. Parece mais interessado em afastar de si o cálice das crises do que em defender ministros.
Seria um ponto positivo, não fosse o fato de que a presidente não demonstra o mesmo interesse em cuidar do principal: o ponto de união entre todos esses escândalos que é o desvio de verbas públicas nos ministérios.
Em todos houve um denunciante motivado por alguma contrariedade. Todos decorreram do mesmo tipo de acusação, a montagem de esquemas de arrecadação de dinheiro para favorecimentos pessoais ou partidários.
Em todos, funcionários ou mesmo figuras sem função oficial atuavam com acesso livre para transgredir.
A hipótese de conspirações para destruir reputações de ministros é fantasiosa. Real é a prática disseminada de apropriação do Estado funcionando a partir do loteamento da máquina.
São usinas de denúncias que seguirão inesgotáveis enquanto o governo mantiver intactos esses "esquemas".
Palavrório. Deputados e senadores da base governista infantilizam o debate sobre o escândalo em curso quando se limitam a adjetivar elogiosamente o ministro e, ao mesmo tempo, chovem no molhado do conhecido prontuário do acusador.
Não há sustentação de defesa que responda à questão essencial: há ou não há desvio de verbas públicas do ministério?
A própria insistência em ressaltar os crimes do denunciante, cometidos no âmbito da pasta do Esporte, é a admissão de que fala com conhecimento de causa.
O critério do prontuário, aliás, é desqualificado pelo próprio PT quando partido e sua área de influência celebram os réus do mensalão e os tratam como cidadãos acima de qualquer suspeita.
No Parlamento, o exemplo mais evidente é a presença de João Paulo Cunha na presidência de nada menos que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
DILMA: A GERENTE DA "LIMPEZA"??????? Opinião do Jotinha.
A Sra.Dilma continua "perdida" no seu pseudo processo de "LIMPEZA" das falcatruas e sujeiras deixado pelo seu "padrinho" Luíz Inácio Apedêuta da Silva. Sabemos que qualquer ministro é um cargo de CONFIANÇA. Qualquer dúvida quanto sua conduta tem que ser imediatamente afastado até que prove o contrário!!!!
Esta demagógica "PRESUNÇÃO da INOCÊNCIA" é pura enrolação.Vamos, como sempre, cair no LUGAR COMUM:
* A imprensa mostrando fatos e mais fatos, relatando diversas entrevista.*O ministro pede DEMISSÃO!!!!!!
*A presidente, na despedida, o "enche" de elogios.
*O pessoal presente na despedida aplaude de pé entre choros e lágrimas.
*O EX-ministro vai para outra "BOQUINHA" em qualquer lugar entre os tres Poderes!!!!
*Mais uma "PALHAÇADA"!!!!!!
Veja bem a realidade :
O CONSELHO de ÉTICA acaba de arquivar representação feita pelo PSOL e PPS contra VALDEMAR COSTA NETO(PR-SP), por 14 votos a 2!!!!!
O Parlamentar foi acusado pelo"SUPOSTO" envolvimento em superfaturamento de contratos e recebimento de propinas no Ministério dos Transportes, entre outras denúncias.
O arquivamento foi pedido pelo RELATOR do processo AMAURI TEIXEIRA(PTralha da Bahia)
" QUE PAÍS É ESSE???"
Jotinha(SP,19/10/2011)
Esta demagógica "PRESUNÇÃO da INOCÊNCIA" é pura enrolação.Vamos, como sempre, cair no LUGAR COMUM:
* A imprensa mostrando fatos e mais fatos, relatando diversas entrevista.*O ministro pede DEMISSÃO!!!!!!
*A presidente, na despedida, o "enche" de elogios.
*O pessoal presente na despedida aplaude de pé entre choros e lágrimas.
*O EX-ministro vai para outra "BOQUINHA" em qualquer lugar entre os tres Poderes!!!!
*Mais uma "PALHAÇADA"!!!!!!
Veja bem a realidade :
O CONSELHO de ÉTICA acaba de arquivar representação feita pelo PSOL e PPS contra VALDEMAR COSTA NETO(PR-SP), por 14 votos a 2!!!!!
O Parlamentar foi acusado pelo"SUPOSTO" envolvimento em superfaturamento de contratos e recebimento de propinas no Ministério dos Transportes, entre outras denúncias.
O arquivamento foi pedido pelo RELATOR do processo AMAURI TEIXEIRA(PTralha da Bahia)
" QUE PAÍS É ESSE???"
Jotinha(SP,19/10/2011)
João Bosco Rabello Brasília - O ESTADO de São Paulo
18.outubro.2011 17:35:57
Cúmplice ou não, o ministro é o responsável pelo que ocorre na Pasta
Ficou convencionado no Brasil, na era de escândalos mensais, que a um ministro é suficiente convencer a comunidade política de não envolvimento direto em falcatruas na Pasta sob seu comando para a absolvição e permanência no cargo.
Até seria admissível quando se tratasse de desvios menores circunscritos a um departamento em que fosse aceitável a desinformação do ministro a respeito. Coisas da rotina que passassem ao largo do gabinete. Fora disso, o ministro deve ser responsabilizado pelo que ocorre na sua Pasta.
Os recentes escândalos nos ministérios dos Transportes, Agricultura e Turismo dizem respeito a milhões de reais destinados a programas negociados diretamente pelos ministros ou pelos secretários-executivos – ou ainda por estruturas do primeiro escalão.
O caso do ministério dos Esportes é mais um nessa linha. Secretário-Executivo à época da assinatura dos convênios do programa Segundo Tempo, o atual ministro Orlando Silva tenta livrar-se do problema atribuindo a aprovação de verbas a uma ONG de um policial militar ao atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz – na ocasião, ministro dos Esportes filiado ao PC do B.
O máximo que isso pode sugerir é que ambos precisam ser investigados: afinal, eram os funcionários mais graduados da Pasta. Agnelo já tem seus bens bloqueados em razão dessa investigação. Orlando Silva entra nela agora por uma denúncia do militar afirmando seu envolvimento na mesma proporção do antecessor.
Está se falando de desvios de R$ 25 milhões se considerada a quantia que o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou ONGs envolvidas no programa a devolver aos cofres públicos. Ainda que venha a provar sua inocência nas acusações de participação direta nos desvios, o ministro Orlando Silva não tem como reivindicar a permanência no cargo a partir disso: é uma quantia que o ministério tem que responder por ela.
Além do mais, está claro que as verbas do programa, cujo sentido é a inclusão de jovens em atividades esportivas, foram utilizadas para reforço de caixa do PC do B, partido ao qual pertence o ministro e ao qual pertencia seu antecessor, hoje no PT.
O partido beneficiou apenas 348 jovens dos cinco mil contabilizados pelo programa, ou seja, 7% do previsto. Não deu a contrapartida de R$ 267 mil de recursos próprios, através das ONGs contratadas, não apresentou um ônibus sequer entre os 50 acertados em contrato, substituiu lanches consistentes para os alunos por biscoitos e sucos, não proveu os jovens de tratamento odontológico e permitiu que os monitores, em quase 100%, fossem contratados sem curso superior, exigência também do convênio.
Como tudo isso pode acontecer à revelia do comando do ministério enquanto o PC do B compra uma sede por R$ 3,3 milhões? Também o benefício do partido com o loteamento partidário das verbas era fato desconhecido pelo ministro de hoje e pelo atual governador do DF que o antecedeu e ao qual foi subordinado?
Não importa de onde vem a denúncia e com qual motivação, como tenta mostrar o ministro, que acusa o atual governo do DF de fogo amigo. Esse é um problema estritamente pessoal. Importa o fato: um desvio de tamanha proporção e com tantas evidências de manipulação política, não pode excluir a cúpula ministerial de suas conseqüências.
Outro aspecto que chama a atenção nesse episódio, sem prejuízo das denúncias, é a participação de um soldado da Polícia Militar como conveniado de um programa de governo, Que diabos faz um soldado da PM no meio disso tudo?
Em sua entrevista, João Dias Ferreira, fala de “suas” entidades – uma delas, uma academia de Kung Fu. A essa altura a academia de luta marcial é uma ONG e a corporação a que pertence o soldado deve achar natural que ele receba através dessa ONG milhões de reais. Assim como Agnelo e Silva também acharam.
Esse soldado também merece investigação mais profunda, assim como sua influência sobre o governador do DF que, até onde se sabe, ainda é real. Um soldado ongueiro que, segundo ele mesmo, espanca funcionários graduados dentro de gabinetes ministeriais.
Tudo muito estranho a mostrar que ainda há muito por aparecer. E com reflexos graves sobre o já agravado governo de Agnelo Queiroz. O que se tem já bastaria para a presidente Dilma Rousseff ter afastado o ministro Orlando Silva.
Não se trata de presunção de inocência, mas de necessidade de transparência na execução de um programa destinado a jovens, mas que serviu aos interesses de pessoas e de um partido.
É de roubo que se trata e ocorrido diante dos olhos do ministro. O que já justifica seu afastamento. Sua inocência jurídica deve ser provada fora do cargo.
Até seria admissível quando se tratasse de desvios menores circunscritos a um departamento em que fosse aceitável a desinformação do ministro a respeito. Coisas da rotina que passassem ao largo do gabinete. Fora disso, o ministro deve ser responsabilizado pelo que ocorre na sua Pasta.
Os recentes escândalos nos ministérios dos Transportes, Agricultura e Turismo dizem respeito a milhões de reais destinados a programas negociados diretamente pelos ministros ou pelos secretários-executivos – ou ainda por estruturas do primeiro escalão.
O caso do ministério dos Esportes é mais um nessa linha. Secretário-Executivo à época da assinatura dos convênios do programa Segundo Tempo, o atual ministro Orlando Silva tenta livrar-se do problema atribuindo a aprovação de verbas a uma ONG de um policial militar ao atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz – na ocasião, ministro dos Esportes filiado ao PC do B.
O máximo que isso pode sugerir é que ambos precisam ser investigados: afinal, eram os funcionários mais graduados da Pasta. Agnelo já tem seus bens bloqueados em razão dessa investigação. Orlando Silva entra nela agora por uma denúncia do militar afirmando seu envolvimento na mesma proporção do antecessor.
Está se falando de desvios de R$ 25 milhões se considerada a quantia que o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou ONGs envolvidas no programa a devolver aos cofres públicos. Ainda que venha a provar sua inocência nas acusações de participação direta nos desvios, o ministro Orlando Silva não tem como reivindicar a permanência no cargo a partir disso: é uma quantia que o ministério tem que responder por ela.
Além do mais, está claro que as verbas do programa, cujo sentido é a inclusão de jovens em atividades esportivas, foram utilizadas para reforço de caixa do PC do B, partido ao qual pertence o ministro e ao qual pertencia seu antecessor, hoje no PT.
O partido beneficiou apenas 348 jovens dos cinco mil contabilizados pelo programa, ou seja, 7% do previsto. Não deu a contrapartida de R$ 267 mil de recursos próprios, através das ONGs contratadas, não apresentou um ônibus sequer entre os 50 acertados em contrato, substituiu lanches consistentes para os alunos por biscoitos e sucos, não proveu os jovens de tratamento odontológico e permitiu que os monitores, em quase 100%, fossem contratados sem curso superior, exigência também do convênio.
Como tudo isso pode acontecer à revelia do comando do ministério enquanto o PC do B compra uma sede por R$ 3,3 milhões? Também o benefício do partido com o loteamento partidário das verbas era fato desconhecido pelo ministro de hoje e pelo atual governador do DF que o antecedeu e ao qual foi subordinado?
Não importa de onde vem a denúncia e com qual motivação, como tenta mostrar o ministro, que acusa o atual governo do DF de fogo amigo. Esse é um problema estritamente pessoal. Importa o fato: um desvio de tamanha proporção e com tantas evidências de manipulação política, não pode excluir a cúpula ministerial de suas conseqüências.
Outro aspecto que chama a atenção nesse episódio, sem prejuízo das denúncias, é a participação de um soldado da Polícia Militar como conveniado de um programa de governo, Que diabos faz um soldado da PM no meio disso tudo?
Em sua entrevista, João Dias Ferreira, fala de “suas” entidades – uma delas, uma academia de Kung Fu. A essa altura a academia de luta marcial é uma ONG e a corporação a que pertence o soldado deve achar natural que ele receba através dessa ONG milhões de reais. Assim como Agnelo e Silva também acharam.
Esse soldado também merece investigação mais profunda, assim como sua influência sobre o governador do DF que, até onde se sabe, ainda é real. Um soldado ongueiro que, segundo ele mesmo, espanca funcionários graduados dentro de gabinetes ministeriais.
Tudo muito estranho a mostrar que ainda há muito por aparecer. E com reflexos graves sobre o já agravado governo de Agnelo Queiroz. O que se tem já bastaria para a presidente Dilma Rousseff ter afastado o ministro Orlando Silva.
Não se trata de presunção de inocência, mas de necessidade de transparência na execução de um programa destinado a jovens, mas que serviu aos interesses de pessoas e de um partido.
É de roubo que se trata e ocorrido diante dos olhos do ministro. O que já justifica seu afastamento. Sua inocência jurídica deve ser provada fora do cargo.
DILMA - A Gerente OMISSA!!!!! O Estado de São Paulo
Rolf Kuntz, jornalista - O Estado de S.Paulo
Tão assustadora quanto a bandalheira no Ministério do Esporte é a demora da presidente Dilma Rousseff em pegar a vassoura, mais uma vez, para avançar na limpeza da administração. Se quisesse, teria tido excelentes motivos para demitir o ministro Orlando Silva há muito tempo. Errou ao mantê-lo, e erra de novo, agora, ao tratar o escândalo da semana como conflito entre um acusador, o policial João Dias Ferreira, e o ministro. Esse confronto é só um episódio a mais de uma longa história de irregularidades, iniciada na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As denúncias divulgadas no fim de semana pela revista Veja acrescentaram detalhes importantes àquela história, mas não surpreenderam.
A presidente deveria ser mais cuidadosa ao adotar o discurso da presunção da inocência, recitado numa entrevista na África do Sul. Em primeiro lugar, critérios desse tipo nunca foram valorizados pelos petistas, quando estavam na oposição. Acusar sem prova era parte de sua rotina. No poder, acrescentaram a essa especialidade a elaboração de dossiês falsos. Em segundo lugar, e este é o ponto mais importante, sobram evidências, há muito tempo, de graves desmandos na área do Ministério. Não está claro se a presidente ignorava esses fatos ou se os considera irrelevantes.
Qualquer dessas possibilidades é inquietante. A primeira seria um indício de inaceitável desatenção. Como chefe da Casa Civil, no governo anterior, e como presidente, a partir de janeiro de 2011, ela deveria ser sempre atenta aos sinais de problemas na administração. Antes de ser nomeada madrinha do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, a ministra Rousseff já era apresentada como a grande gerente dos investimentos federais. A partir de 2007, quando o Brasil assumiu a tarefa de preparar a Copa do Mundo, ela deveria ter acompanhado de perto o Ministério do Esporte. Na Presidência, teria acertado se levasse em conta novos indícios, muito fortes, de falcatruas com dinheiro manejado pelo ministro Orlando Silva.
O Estado publicou neste ano várias denúncias de irregularidades com verbas fornecidas a entidades vinculadas ao PC do B. O material saiu nas edições de 20, 21 e 23 de fevereiro, 15 de abril e 31 de agosto. Um resumo das histórias apareceu no jornal nesta terça-feira. As matérias mostram fornecimento de verbas a entidades fantasmas e financiamentos destinados a ações nunca realizadas. Ou a presidente não lê jornais, ou o clipping destinado a seu gabinete é censurado, ou talvez ela tenha preferido olhar para outro lado.
Órgãos federais de controle, no entanto, ocuparam-se das irregularidades. Em 15 de abril, o Estado noticiou a promessa do Tribunal de Contas da União (TCU) de investigar os convênios firmados com a ONG Bola pra Frente. A Controladoria-Geral da União (CGU) também se envolveu. De 2006 ao primeiro semestre deste ano, a CGU determinou a devolução de R$ 26,5 milhões aplicados em 67 convênios com problemas, segundo noticiou nessa terça-feira a Folha de S.Paulo. De acordo com nota do Ministério, os pedidos de devolução refletem o trabalho constante de vigilância e a atenção à lei. Só essa piada bastaria para justificar a demissão do ministro e de sua equipe. Que vigilância, quando os órgãos de controle apontam irregularidades em 67 convênios?
A preferência a entidades vinculadas a um partido - no caso, o PC do B - já deveria escandalizar qualquer pessoa com algum senso de decência - ou, no mínimo, habituada às boas maneiras. Esses convênios foram expostos em matérias do Estado e na reportagem da Veja. Além disso, exemplos foram levantados pela organização Contas Abertas, especializada em finanças públicas. De 2006 a 2011, o Instituto de Cultura Ambiental recebeu R$ 5,5 milhões do programa Segundo Tempo. Seu primeiro tesoureiro é filiado ao partido, assim como o presidente do Instituto Contato, contemplado com "mais de R$ 20 milhões" entre 2007 e 2011.
Já seria notável a existência de tantas ONGs especializadas em educação e, de modo especial, em assistência, por meio do esporte, a crianças carentes. Mas notável, mesmo, é o número de entidades especializadas em assistência por meio do esporte e vinculadas ao PC do B. Nenhum desses fatos extraordinários terá jamais feito brilhar uma luz diante dos olhos da presidente Dilma Rousseff?
A briga entre o policial João Dias Ferreira e o ministro Orlando Silva, é bom repetir, é só um dado a mais numa epopeia bandalha. Se a presidente não agiu há mais tempo, foi porque não quis, porque não se escandalizou ou por uma desinformação digna do Guinness. Se não se cuidar, será tragada por esse pântano longamente preparado por seu antecessor. Todas as preocupações de hoje em relação ao custo da Copa do Mundo parecerão ridiculamente pequenas.
A presidente deveria ser mais cuidadosa ao adotar o discurso da presunção da inocência, recitado numa entrevista na África do Sul. Em primeiro lugar, critérios desse tipo nunca foram valorizados pelos petistas, quando estavam na oposição. Acusar sem prova era parte de sua rotina. No poder, acrescentaram a essa especialidade a elaboração de dossiês falsos. Em segundo lugar, e este é o ponto mais importante, sobram evidências, há muito tempo, de graves desmandos na área do Ministério. Não está claro se a presidente ignorava esses fatos ou se os considera irrelevantes.
Qualquer dessas possibilidades é inquietante. A primeira seria um indício de inaceitável desatenção. Como chefe da Casa Civil, no governo anterior, e como presidente, a partir de janeiro de 2011, ela deveria ser sempre atenta aos sinais de problemas na administração. Antes de ser nomeada madrinha do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, a ministra Rousseff já era apresentada como a grande gerente dos investimentos federais. A partir de 2007, quando o Brasil assumiu a tarefa de preparar a Copa do Mundo, ela deveria ter acompanhado de perto o Ministério do Esporte. Na Presidência, teria acertado se levasse em conta novos indícios, muito fortes, de falcatruas com dinheiro manejado pelo ministro Orlando Silva.
O Estado publicou neste ano várias denúncias de irregularidades com verbas fornecidas a entidades vinculadas ao PC do B. O material saiu nas edições de 20, 21 e 23 de fevereiro, 15 de abril e 31 de agosto. Um resumo das histórias apareceu no jornal nesta terça-feira. As matérias mostram fornecimento de verbas a entidades fantasmas e financiamentos destinados a ações nunca realizadas. Ou a presidente não lê jornais, ou o clipping destinado a seu gabinete é censurado, ou talvez ela tenha preferido olhar para outro lado.
Órgãos federais de controle, no entanto, ocuparam-se das irregularidades. Em 15 de abril, o Estado noticiou a promessa do Tribunal de Contas da União (TCU) de investigar os convênios firmados com a ONG Bola pra Frente. A Controladoria-Geral da União (CGU) também se envolveu. De 2006 ao primeiro semestre deste ano, a CGU determinou a devolução de R$ 26,5 milhões aplicados em 67 convênios com problemas, segundo noticiou nessa terça-feira a Folha de S.Paulo. De acordo com nota do Ministério, os pedidos de devolução refletem o trabalho constante de vigilância e a atenção à lei. Só essa piada bastaria para justificar a demissão do ministro e de sua equipe. Que vigilância, quando os órgãos de controle apontam irregularidades em 67 convênios?
A preferência a entidades vinculadas a um partido - no caso, o PC do B - já deveria escandalizar qualquer pessoa com algum senso de decência - ou, no mínimo, habituada às boas maneiras. Esses convênios foram expostos em matérias do Estado e na reportagem da Veja. Além disso, exemplos foram levantados pela organização Contas Abertas, especializada em finanças públicas. De 2006 a 2011, o Instituto de Cultura Ambiental recebeu R$ 5,5 milhões do programa Segundo Tempo. Seu primeiro tesoureiro é filiado ao partido, assim como o presidente do Instituto Contato, contemplado com "mais de R$ 20 milhões" entre 2007 e 2011.
Já seria notável a existência de tantas ONGs especializadas em educação e, de modo especial, em assistência, por meio do esporte, a crianças carentes. Mas notável, mesmo, é o número de entidades especializadas em assistência por meio do esporte e vinculadas ao PC do B. Nenhum desses fatos extraordinários terá jamais feito brilhar uma luz diante dos olhos da presidente Dilma Rousseff?
A briga entre o policial João Dias Ferreira e o ministro Orlando Silva, é bom repetir, é só um dado a mais numa epopeia bandalha. Se a presidente não agiu há mais tempo, foi porque não quis, porque não se escandalizou ou por uma desinformação digna do Guinness. Se não se cuidar, será tragada por esse pântano longamente preparado por seu antecessor. Todas as preocupações de hoje em relação ao custo da Copa do Mundo parecerão ridiculamente pequenas.
A ESTA ALTURA DO CAMPEONATO Folha de São Paulo
O ministro do Esporte, Orlando Silva, foi bem na forma de seu depoimento na Câmara dos Deputados. Treinado em anos e anos de palanques, discursos e assembleias estudantis em que representava o PC do B, ele estava firme, parecia à vontade. Não é uma postura comum para quem está sob suspeita.
Orlando Silva, porém, repetiu no conteúdo o mesmo erro de todos os demais ministros que caíram já neste primeiro ano de governo Dilma Rousseff: abusou dos adjetivos, mas usou poucos substantivos. Faltou-lhe, sobretudo, respostas objetivas, concretas, às acusações.
Quais sejam: segundo o PM João Dias Ferreira, seu correligionário do PC do B, que foi preso por desvios de verbas do Ministério do Esporte para ONGs, Orlando Silva era o chefe do esquema e chegou a receber pacotes de papelão com dinheiro na garagem do ministério.
Orlando Silva reage com uma profusão de adjetivos e diz que seu acusador e correligionário é "criminoso, desqualificado, um preso, uma fonte bandida". Para desmenti-lo, abriu seu sigilo fiscal e bancário e encaminhou um pedido de (auto) investigação à Polícia Federal.
Ou seja, as apurações continuam, com a imprensa marcando firme, e a situação do ministro continua sendo um suspense em Brasília. Não dá ainda para apostar se fica ou não.
Como nas quatro quedas de ministros por corrupção, a presidente Dilma Rousseff nem acusa nem defende. Senta e espera para ver. Assim o acusado passa a ser senhor do seu destino. Se não houver provas e se não aparecerem fatos novos, fica a palavra do PM "desqualificado" contra a do ministro acuado. Caso contrário... lá se vai o quinto ministro a cair sob o peso das denúncias e o sexto no governo Dilma (o outro foi Nelson Jobim, que saiu por outros motivos).
A diferença é que Orlando Silva ocupa uma pasta que costumava ser secundária mas se tornou importante por causa da Copa e da Olimpíada. Um escândalo no Esporte, a esta altura do campeonato, é péssimo para o Brasil lá fora. Apesar de ser apenas mais um entre tantos para nós, os calejados brasileiros.
Eliane Cantanhêde é colunista da Folha
Orlando Silva, porém, repetiu no conteúdo o mesmo erro de todos os demais ministros que caíram já neste primeiro ano de governo Dilma Rousseff: abusou dos adjetivos, mas usou poucos substantivos. Faltou-lhe, sobretudo, respostas objetivas, concretas, às acusações.
Quais sejam: segundo o PM João Dias Ferreira, seu correligionário do PC do B, que foi preso por desvios de verbas do Ministério do Esporte para ONGs, Orlando Silva era o chefe do esquema e chegou a receber pacotes de papelão com dinheiro na garagem do ministério.
Orlando Silva reage com uma profusão de adjetivos e diz que seu acusador e correligionário é "criminoso, desqualificado, um preso, uma fonte bandida". Para desmenti-lo, abriu seu sigilo fiscal e bancário e encaminhou um pedido de (auto) investigação à Polícia Federal.
Ou seja, as apurações continuam, com a imprensa marcando firme, e a situação do ministro continua sendo um suspense em Brasília. Não dá ainda para apostar se fica ou não.
Como nas quatro quedas de ministros por corrupção, a presidente Dilma Rousseff nem acusa nem defende. Senta e espera para ver. Assim o acusado passa a ser senhor do seu destino. Se não houver provas e se não aparecerem fatos novos, fica a palavra do PM "desqualificado" contra a do ministro acuado. Caso contrário... lá se vai o quinto ministro a cair sob o peso das denúncias e o sexto no governo Dilma (o outro foi Nelson Jobim, que saiu por outros motivos).
A diferença é que Orlando Silva ocupa uma pasta que costumava ser secundária mas se tornou importante por causa da Copa e da Olimpíada. Um escândalo no Esporte, a esta altura do campeonato, é péssimo para o Brasil lá fora. Apesar de ser apenas mais um entre tantos para nós, os calejados brasileiros.
Eliane Cantanhêde é colunista da Folhaterça-feira, 18 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
ROUBALHEIRA RECORDE!!!!!
O Estado de S.Paulo
Os deputados estaduais do Amapá estão recebendo uma verba indenizatória, paga além do salário, de R$ 100 mil por mês. Mas quem se impressiona com mais esse absurdo? Para qualquer lado que se olhe neste país, em qualquer direção que se procure, lá se encontram marginais travestidos de homens públicos que não hesitam em meter a mão no dinheiro que é de todos, locupletando-se à custa dos brasileiros que, vergados sob o peso de uma das mais onerosas cargas tributárias do mundo, assistem impotentes ao espetáculo da corrupção e da ineficiência no trato da coisa pública. Não há faxina que possa dar conta deles. As evidências que diariamente vêm à tona demonstram que em todos os níveis, em todos os poderes, em todos os partidos, em todos os Estados e municípios, a corrupção se alastra. Basta procurar, que se encontra.
O escândalo da vez vem do Estado amazônico que José Sarney escolheu para representar no Senado. Lá, a Polícia Federal levou a cabo a Operação Mãos Limpas, cujo relatório final o Estado divulgou no domingo passado. O inquérito foi feito com a colaboração de técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) e revela o envolvimento de membros dos Três Poderes estaduais, do Tribunal de Contas e da prefeitura da capital, Macapá, em desvios de recursos públicos que somaram, ao longo de dez anos, cerca de R$ 1 bilhão.
Mesmo diante dessa enormidade a trampolinagem praticada pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa amapaense pode ser considerada de primeira grandeza. Em junho, na maior moita, a verba indenizatória dos 24 deputados estaduais foi elevada para inacreditáveis R$ 100 mil por mês. Essa verba indenizatória é quase três vezes maior do que a paga pela Assembleia de Alagoas - de R$ 39 mil -, considerada recordista em generosidades no trato de seus deputados, até que se conheceram os hábitos amapaenses. E corresponde a sete vezes o que os deputados federais recebem para cobrir as mesmas despesas gerais de aluguel, transporte e consultoria. Os responsáveis pela decisão são o presidente da Assembleia, Moisés Souza (PSC), e o primeiro-secretário da Mesa, Edinho Duarte (PP). Ambos integram com destaque a lista dos indiciados pela Operação Mãos Limpas, acusados de participar de um esquema de emissão de notas frias destinadas a mascarar o desvio de verbas públicas.
Mas o que dá a exata medida da podridão que infesta a vida pública do Estado é a história de um personagem que, se fosse de ficção, seria simplesmente inacreditável. Mas é de carne e osso. José Julio de Miranda Coelho comandou a Polícia Militar, presidiu a Assembleia Legislativa por dois mandatos consecutivos e era presidente do Tribunal de Contas quando foi preso no ano passado pela Operação Mãos Limpas, sob a acusação de desvios num montante de R$ 190 milhões, e solto em março último. É suspeito do assassínio de um policial federal, cuja arma foi encontrada na sua casa, além de responder à acusação de pedofilia. Possui cerca de 100 imóveis, alguns deles em São Paulo, tudo em nome de laranjas. Pois é esse o homem que manda no dia a dia da política amapaense. Lá, tudo é feito à sua imagem e semelhança.
A Assembleia Legislativa, que ele presidiu por duas vezes, por exemplo, está caindo aos pedaços. A verba que sobra para a farra dos deputados falta para manter o prédio em condições minimamente dignas. A Casa tem 3.121 funcionários, apenas 134 efetivos. Os demais são nomeados pelos deputados. Mas não são encontrados no prédio, até porque a maior parte é constituída de fantasmas. Entre os quase 3 mil comissionados, outra revelação inacreditável: 626 ocupam o cargo de agentes parlamentares da presidência; 272 atuam como agentes especiais da presidência e 89 são assessores especiais da presidência. Ao todo, 987 para servir ao chefe do Legislativo.
E este, o deputado Moisés Souza, tem para o fato uma explicação absolutamente cínica: "Seria uma hipocrisia se tivéssemos tantos funcionários que não pudessem percorrer o Estado e manter contato com nossas bases eleitorais. São esses gastos (a verba de R$ 100 mil) que aumentam a qualidade dos trabalhos dos deputados do Amapá". Haja desfaçatez!
O escândalo da vez vem do Estado amazônico que José Sarney escolheu para representar no Senado. Lá, a Polícia Federal levou a cabo a Operação Mãos Limpas, cujo relatório final o Estado divulgou no domingo passado. O inquérito foi feito com a colaboração de técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) e revela o envolvimento de membros dos Três Poderes estaduais, do Tribunal de Contas e da prefeitura da capital, Macapá, em desvios de recursos públicos que somaram, ao longo de dez anos, cerca de R$ 1 bilhão.
Mesmo diante dessa enormidade a trampolinagem praticada pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa amapaense pode ser considerada de primeira grandeza. Em junho, na maior moita, a verba indenizatória dos 24 deputados estaduais foi elevada para inacreditáveis R$ 100 mil por mês. Essa verba indenizatória é quase três vezes maior do que a paga pela Assembleia de Alagoas - de R$ 39 mil -, considerada recordista em generosidades no trato de seus deputados, até que se conheceram os hábitos amapaenses. E corresponde a sete vezes o que os deputados federais recebem para cobrir as mesmas despesas gerais de aluguel, transporte e consultoria. Os responsáveis pela decisão são o presidente da Assembleia, Moisés Souza (PSC), e o primeiro-secretário da Mesa, Edinho Duarte (PP). Ambos integram com destaque a lista dos indiciados pela Operação Mãos Limpas, acusados de participar de um esquema de emissão de notas frias destinadas a mascarar o desvio de verbas públicas.
Mas o que dá a exata medida da podridão que infesta a vida pública do Estado é a história de um personagem que, se fosse de ficção, seria simplesmente inacreditável. Mas é de carne e osso. José Julio de Miranda Coelho comandou a Polícia Militar, presidiu a Assembleia Legislativa por dois mandatos consecutivos e era presidente do Tribunal de Contas quando foi preso no ano passado pela Operação Mãos Limpas, sob a acusação de desvios num montante de R$ 190 milhões, e solto em março último. É suspeito do assassínio de um policial federal, cuja arma foi encontrada na sua casa, além de responder à acusação de pedofilia. Possui cerca de 100 imóveis, alguns deles em São Paulo, tudo em nome de laranjas. Pois é esse o homem que manda no dia a dia da política amapaense. Lá, tudo é feito à sua imagem e semelhança.
A Assembleia Legislativa, que ele presidiu por duas vezes, por exemplo, está caindo aos pedaços. A verba que sobra para a farra dos deputados falta para manter o prédio em condições minimamente dignas. A Casa tem 3.121 funcionários, apenas 134 efetivos. Os demais são nomeados pelos deputados. Mas não são encontrados no prédio, até porque a maior parte é constituída de fantasmas. Entre os quase 3 mil comissionados, outra revelação inacreditável: 626 ocupam o cargo de agentes parlamentares da presidência; 272 atuam como agentes especiais da presidência e 89 são assessores especiais da presidência. Ao todo, 987 para servir ao chefe do Legislativo.
E este, o deputado Moisés Souza, tem para o fato uma explicação absolutamente cínica: "Seria uma hipocrisia se tivéssemos tantos funcionários que não pudessem percorrer o Estado e manter contato com nossas bases eleitorais. São esses gastos (a verba de R$ 100 mil) que aumentam a qualidade dos trabalhos dos deputados do Amapá". Haja desfaçatez!
I P C A - Instituto Popular de Corrupção Aplicada - João Ubaldo Ribeiro.
João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo
Fez-se atento silêncio no bar de Espanha, quando Zecamunista, que havia levado algum tempo sem aparecer, chegou e anunciou que estava criando o IPCA. Passara muito tempo lendo e meditando sobre a realidade nacional e chegara à conclusão de que era necessário encará-la sob nova perspectiva, despir-se dos vícios intelectuais antigos e abrir novos horizontes ideológicos. Nossos problemas precisavam de soluções originais e ele agora tinha a convicção de que o IPCA seria um dos pontos principais dessa nova abordagem. Se o exemplo da ilha fosse seguido em todo o Brasil, o IPCA poderia ser a chave para uma nova era de paz e prosperidade. Abrir-se-iam oportunidades para todos e se formulariam claramente as bases ideológicas que hoje já mais ou menos norteiam as ações dos nossos governantes. E ele não só tinha redigido o ato de constituição do IPCA como havia marcado uma assembleia fundadora, a realizar-se com a presença de representantes de todos os municípios do Recôncavo.
Realmente muito bonito, concordaram todos e, vinda de Zecamunista, só podia ser coisa de quem, como ele, sempre fez altos estudos e usa palavras de que nunca ninguém ouviu falar, como acontece com os grandes sábios e líderes. Certamente, esse tal de IPCA era coisa existente em centros adiantados e agora, como sempre preocupado em manter a ilha na vanguarda, Zeca iria importá-lo, sem dúvida para grande benefício geral. Contudo, ainda que mal se perguntasse e bem se perdoasse a ignorância, em que consistia esse famoso IPCA? Qual a função dele, nos lugares onde já existe?
- Ele não existe em lugar nenhum - explicou Zeca. - É criação minha, quem bolou fui eu mesmo, é mais um pioneirismo nosso. Mas meu plano é mesmo que ele venha a ser implantado em todo o Brasil, porque muitos dos problemas atuais deixariam de existir.
Sim, o IPCA nada mais é que as iniciais do Instituto Popular de Corrupção Aplicada. Como se sabe, rouba-se muito no Brasil e a maior parte dos governantes vê o poder como o caminho aberto para se fazer na vida. Aliás, é como todo mundo, não só os governantes, vê o poder. Estranho é o sujeito que vai eleito ou nomeado a alguma coisa não prosperar economicamente, é um comportamento anômalo. A corrupção está integrada em nossa realidade e não adianta querer eliminá-la.
- Mas, Zeca, você sempre disse aqui que é contra a corrupção.
- Disse e sou, mas isso é no terreno filosófico. No terreno prático, minha posição a favor do povo me leva a encarar a corrupção com novos olhos. A corrupção só é um problema devido à exclusão. O pobre e o remediado são excluídos da corrupção e ficam à margem do esquema geral. Com o Instituto, isso vai ser corrigido, a corrupção vai ficar ao alcance de todos e não somente de uns relativamente poucos privilegiados. Claro, não se vai esperar que o corrupto de um pequeno município atinja os mesmos patamares de um corrupto como um juiz safado, um deputado ladrão, um senador salafrário ou um ministro vigarista. Isso somente ocorre em casos excepcionais, quando o corrupto tem muito talento. Não, o que eu quero é simplesmente democratizar a corrupção, para que ela fique ao alcance de todos, até o cidadão mais humilde.
Já estava tudo ali, em seu caderno de anotações. Em exaustivo estudo, catalogara todas as espécies de golpe aplicado para roubar o dinheiro do governo ou para enriquecer com propinas e subornos. Já podia fechar os olhos e ver como ficaria o pessoal da ilha, caso o esquema viesse a funcionar. Haveria dispositivos especiais para o micro, pequeno ou médiocorrupto, com linhas de crédito adequadas. E seriam implantadas medidas ainda mais revolucionárias, em benefício do proletariado. Por exemplo, foro especial para todos. Por que somente certos ladrões têm direito a foro especial? E também tratamento igual para todos. A Polícia Federal poderia continuar a investigar e prender, mas a regra de prender na segunda e soltar na terça tinha de valer para qualquer corrupto, sem distinção.
- Aliás - disse ele -, agora mesmo me veio outra ideia inovadora, é preciso estar de acordo com os novos tempos. Agora todo mundo tem estatuto e, portanto, vamos criar o Estatuto do Corrupto, vai ser a primeira tarefa do IPCA. Um bom estatuto faz milagres, qualquer coisa que o sujeito queira. Agora mesmo saiu o Estatuto do Jovem. Até 29 anos, o camarada é jovem. Daí para 60, é adulto. Dos 60 em diante (65, dependendo), é idoso. Falta agora fazer o Estatuto do Adulto, esse pessoal não pode ficar desamparado, excluído de cobertura estatutária. Eu creio que a tendência moderna é fazer um estatuto para cada categoria que se definir, sou a favor de estatuto para tudo, Estatuto do Carnaval, Estatuto do Corno, Estatuto dos Fanhos e assim por diante, é uma abordagem que ainda tem a vantagem de já estar sendo aplicada no Brasil, onde todo dia aparece um estatuto novo.
O bom comunista, como ele, sabe aproveitar circunstâncias adversas em benefício de suas causas. Com o Estatuto do Corrupto em vigor, os pobres e semipobres da ilha adquirirão novo status político-econômico, mesmo porque não será esquecido o estabelecimento criterioso de mecanismos para permitir o ingresso deles no multifacetado e fascinante mundo da corrupção. Além de financiamento, treinamento pelo IPCA e estágio em alguns dos órgãos públicos mais notoriamente corruptos, nos três poderes, eles contariam com o Bolsa Corrupção, enquanto não fossem capazes de roubar o próprio sustento. Descobri a filosofia desse governo, disse Zecamunista. Tem como modos de ação o bolsismo e o estatutismo. Cabe a nós, proletários, usar os dois em nosso benefício. Mas o roubismo graúdo não tem jeito, continua com eles mesmos.
Realmente muito bonito, concordaram todos e, vinda de Zecamunista, só podia ser coisa de quem, como ele, sempre fez altos estudos e usa palavras de que nunca ninguém ouviu falar, como acontece com os grandes sábios e líderes. Certamente, esse tal de IPCA era coisa existente em centros adiantados e agora, como sempre preocupado em manter a ilha na vanguarda, Zeca iria importá-lo, sem dúvida para grande benefício geral. Contudo, ainda que mal se perguntasse e bem se perdoasse a ignorância, em que consistia esse famoso IPCA? Qual a função dele, nos lugares onde já existe?
- Ele não existe em lugar nenhum - explicou Zeca. - É criação minha, quem bolou fui eu mesmo, é mais um pioneirismo nosso. Mas meu plano é mesmo que ele venha a ser implantado em todo o Brasil, porque muitos dos problemas atuais deixariam de existir.
Sim, o IPCA nada mais é que as iniciais do Instituto Popular de Corrupção Aplicada. Como se sabe, rouba-se muito no Brasil e a maior parte dos governantes vê o poder como o caminho aberto para se fazer na vida. Aliás, é como todo mundo, não só os governantes, vê o poder. Estranho é o sujeito que vai eleito ou nomeado a alguma coisa não prosperar economicamente, é um comportamento anômalo. A corrupção está integrada em nossa realidade e não adianta querer eliminá-la.
- Mas, Zeca, você sempre disse aqui que é contra a corrupção.
- Disse e sou, mas isso é no terreno filosófico. No terreno prático, minha posição a favor do povo me leva a encarar a corrupção com novos olhos. A corrupção só é um problema devido à exclusão. O pobre e o remediado são excluídos da corrupção e ficam à margem do esquema geral. Com o Instituto, isso vai ser corrigido, a corrupção vai ficar ao alcance de todos e não somente de uns relativamente poucos privilegiados. Claro, não se vai esperar que o corrupto de um pequeno município atinja os mesmos patamares de um corrupto como um juiz safado, um deputado ladrão, um senador salafrário ou um ministro vigarista. Isso somente ocorre em casos excepcionais, quando o corrupto tem muito talento. Não, o que eu quero é simplesmente democratizar a corrupção, para que ela fique ao alcance de todos, até o cidadão mais humilde.
Já estava tudo ali, em seu caderno de anotações. Em exaustivo estudo, catalogara todas as espécies de golpe aplicado para roubar o dinheiro do governo ou para enriquecer com propinas e subornos. Já podia fechar os olhos e ver como ficaria o pessoal da ilha, caso o esquema viesse a funcionar. Haveria dispositivos especiais para o micro, pequeno ou médiocorrupto, com linhas de crédito adequadas. E seriam implantadas medidas ainda mais revolucionárias, em benefício do proletariado. Por exemplo, foro especial para todos. Por que somente certos ladrões têm direito a foro especial? E também tratamento igual para todos. A Polícia Federal poderia continuar a investigar e prender, mas a regra de prender na segunda e soltar na terça tinha de valer para qualquer corrupto, sem distinção.
- Aliás - disse ele -, agora mesmo me veio outra ideia inovadora, é preciso estar de acordo com os novos tempos. Agora todo mundo tem estatuto e, portanto, vamos criar o Estatuto do Corrupto, vai ser a primeira tarefa do IPCA. Um bom estatuto faz milagres, qualquer coisa que o sujeito queira. Agora mesmo saiu o Estatuto do Jovem. Até 29 anos, o camarada é jovem. Daí para 60, é adulto. Dos 60 em diante (65, dependendo), é idoso. Falta agora fazer o Estatuto do Adulto, esse pessoal não pode ficar desamparado, excluído de cobertura estatutária. Eu creio que a tendência moderna é fazer um estatuto para cada categoria que se definir, sou a favor de estatuto para tudo, Estatuto do Carnaval, Estatuto do Corno, Estatuto dos Fanhos e assim por diante, é uma abordagem que ainda tem a vantagem de já estar sendo aplicada no Brasil, onde todo dia aparece um estatuto novo.
O bom comunista, como ele, sabe aproveitar circunstâncias adversas em benefício de suas causas. Com o Estatuto do Corrupto em vigor, os pobres e semipobres da ilha adquirirão novo status político-econômico, mesmo porque não será esquecido o estabelecimento criterioso de mecanismos para permitir o ingresso deles no multifacetado e fascinante mundo da corrupção. Além de financiamento, treinamento pelo IPCA e estágio em alguns dos órgãos públicos mais notoriamente corruptos, nos três poderes, eles contariam com o Bolsa Corrupção, enquanto não fossem capazes de roubar o próprio sustento. Descobri a filosofia desse governo, disse Zecamunista. Tem como modos de ação o bolsismo e o estatutismo. Cabe a nós, proletários, usar os dois em nosso benefício. Mas o roubismo graúdo não tem jeito, continua com eles mesmos.
República dos SURDOS!!!! ESTADÃO
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
As três bandeiras levadas aos atos de rua da última quarta-feira - fim do voto secreto no Congresso, validade da Lei da Ficha Limpa e manutenção das prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça - dependem de decisões dos Poderes Legislativo e Judiciário, que se mantiveram indiferentes ao fato de brasileiros terem saído de casa para dizer o que estão querendo.
Talvez porque os protestos tenham acontecido em semana de feriado ou possivelmente porque a quantidade de gente nas ruas não tenha sido suficiente para mobilizar as opiniões de suas excelências.
Se milhares não bastam e milhões ainda não parecem despertados para a gravidade do problema, pois, como se diz, andam satisfeitos com a economia, autoridades não dão ouvidos.
Apenas não se diga que os magistrados só falam nos autos, porque falam a respeito de tudo o tempo todo. E fazem bem em falar.
Fariam, no entanto, juízes e parlamentares, melhor em agir. Ou, melhor dizendo, em fazer a parte que lhes cabe nesse latifúndio de deformações que servem de abrigo à impunidade, alimentando, por óbvio, o crime.
Ao Poder Executivo tampouco ocorreu fazer qualquer manifestação a respeito das demandas dos protestantes, nem para dizer que sim ou que não à justeza de cada uma delas.
Se é verdade que a presidente da República se sensibiliza com essas e outras questões relacionadas à corrupção, natural seria que do governo se visse um gesto, se ouvisse uma palavra.
Mas, não. Assim como ocorreu na primeira rodada de protestos, em setembro, os Poderes da República surdos estavam, mudos ficaram.
Realmente não é fácil atuar no campo da generalidade, do combate à corrupção como um todo, se não há pontos de partida e de chegada.
Mas, no caso, aqueles atos apresentaram pedidos objetivos, além de perfeitamente exequíveis.
A resolução de dois deles está prometida para muito em breve: os julgamentos no Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e da ação que retira do CNJ o poder de iniciativa de investigar condutas suspeitas na Justiça.
Tais decisões têm sido adiadas sob o argumento de que são controversas e seria necessário esperar a nomeação pela presidente do nome que falta para completar o colegiado de 11 ministros.
A presidente não faz a sua parte, indicando o (a) substituto (a) de Ellen Gracie, mas o tribunal nem por isso tem razão objetiva para esperar. Tanto que estava pronto para votar a questão do CNJ e só não fez por causa da polêmica suscitada pela corregedora Eliana Calmon ao se referir à existência de "bandidos de toga" no Judiciário.
Sobre a Ficha Limpa, o adiamento tampouco se justifica, uma vez que no primeiro exame do tema, ainda em 2010, a maioria dos magistrados havia se manifestado a favor da constitucionalidade da lei.
Lei esta que já produziu filhotes em dez cidades e quatro Estados, cujo conceito está sendo incorporado no cotidiano e ampliado para além da exigência a deputados e senadores.
O terceiro pedido, o fim do voto secreto nas decisões do Parlamento, seria em tese o mais fácil de ser atendido porque já tem um bom caminho andado.
Foi aprovado em primeiro turno na Câmara em setembro de 2006 e, apesar dos 383 votos favoráveis, nenhum contra e quatro abstenções, virou letra morta na leniência surda dos líderes partidários e da Mesa Diretora da Casa.
O que falta para retomar a votação? Nada além de vontade para escutar a voz que vem de fora. Voz consagrada no sempre ignorado artigo primeiro da Constituição que estabelece o poder como originário do povo, "que o exerce por meio de representantes ou diretamente".
Ao ignorar o mandamento, os eleitos, para o Legislativo ou para o Executivo, subestimam o discernimento popular e põem em dúvida a legitimidade dos próprios mandatos.
Delegações estas que só existem porque em determinado momento os donos das vozes que não são depois ouvidas foram às urnas para autorizar sua existência. E, estando credenciados para eleger, estão também para exercer o poder de dizer o que fazer.
Do contrário, suas excelências estarão reconhecendo que o povo errou na escolha.
Talvez porque os protestos tenham acontecido em semana de feriado ou possivelmente porque a quantidade de gente nas ruas não tenha sido suficiente para mobilizar as opiniões de suas excelências.
Se milhares não bastam e milhões ainda não parecem despertados para a gravidade do problema, pois, como se diz, andam satisfeitos com a economia, autoridades não dão ouvidos.
Apenas não se diga que os magistrados só falam nos autos, porque falam a respeito de tudo o tempo todo. E fazem bem em falar.
Fariam, no entanto, juízes e parlamentares, melhor em agir. Ou, melhor dizendo, em fazer a parte que lhes cabe nesse latifúndio de deformações que servem de abrigo à impunidade, alimentando, por óbvio, o crime.
Ao Poder Executivo tampouco ocorreu fazer qualquer manifestação a respeito das demandas dos protestantes, nem para dizer que sim ou que não à justeza de cada uma delas.
Se é verdade que a presidente da República se sensibiliza com essas e outras questões relacionadas à corrupção, natural seria que do governo se visse um gesto, se ouvisse uma palavra.
Mas, não. Assim como ocorreu na primeira rodada de protestos, em setembro, os Poderes da República surdos estavam, mudos ficaram.
Realmente não é fácil atuar no campo da generalidade, do combate à corrupção como um todo, se não há pontos de partida e de chegada.
Mas, no caso, aqueles atos apresentaram pedidos objetivos, além de perfeitamente exequíveis.
A resolução de dois deles está prometida para muito em breve: os julgamentos no Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e da ação que retira do CNJ o poder de iniciativa de investigar condutas suspeitas na Justiça.
Tais decisões têm sido adiadas sob o argumento de que são controversas e seria necessário esperar a nomeação pela presidente do nome que falta para completar o colegiado de 11 ministros.
A presidente não faz a sua parte, indicando o (a) substituto (a) de Ellen Gracie, mas o tribunal nem por isso tem razão objetiva para esperar. Tanto que estava pronto para votar a questão do CNJ e só não fez por causa da polêmica suscitada pela corregedora Eliana Calmon ao se referir à existência de "bandidos de toga" no Judiciário.
Sobre a Ficha Limpa, o adiamento tampouco se justifica, uma vez que no primeiro exame do tema, ainda em 2010, a maioria dos magistrados havia se manifestado a favor da constitucionalidade da lei.
Lei esta que já produziu filhotes em dez cidades e quatro Estados, cujo conceito está sendo incorporado no cotidiano e ampliado para além da exigência a deputados e senadores.
O terceiro pedido, o fim do voto secreto nas decisões do Parlamento, seria em tese o mais fácil de ser atendido porque já tem um bom caminho andado.
Foi aprovado em primeiro turno na Câmara em setembro de 2006 e, apesar dos 383 votos favoráveis, nenhum contra e quatro abstenções, virou letra morta na leniência surda dos líderes partidários e da Mesa Diretora da Casa.
O que falta para retomar a votação? Nada além de vontade para escutar a voz que vem de fora. Voz consagrada no sempre ignorado artigo primeiro da Constituição que estabelece o poder como originário do povo, "que o exerce por meio de representantes ou diretamente".
Ao ignorar o mandamento, os eleitos, para o Legislativo ou para o Executivo, subestimam o discernimento popular e põem em dúvida a legitimidade dos próprios mandatos.
Delegações estas que só existem porque em determinado momento os donos das vozes que não são depois ouvidas foram às urnas para autorizar sua existência. E, estando credenciados para eleger, estão também para exercer o poder de dizer o que fazer.
Do contrário, suas excelências estarão reconhecendo que o povo errou na escolha.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O POVO NA RUA!!!!!
Havia de tudo um pouco na marcha contra a corrupção aqui em Brasília: gente vestida de presidiário, tipo Irmãos Metralha, gente com máscara de porco, que chafurda na lama, gente fantasiada de pirata, por causa dos desvios para paraísos fiscais. Não faltaram vassouras e, claro, uma vistosa pizza. Foi uma festa alegre, mas foi uma manifestação séria, se é que você me entende.
Em vez de palavras de ordem genéricas contra a corrupção, os organizadores focaram temas específicos: a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, em votação no Supremo, a garantia das prerrogativas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para investigar juízes, idem, fim do voto secreto de deputados e senadores, em análise no Congresso, e combate sério à evasão de divisas.
Foi uma manifestação sem partidos, sem UNE, sem sindicatos, mas com apoio da OAB e da CNBB. Aliás, o presidente desta entidade, Dom Raymundo Damasceno, deu declaração pública a favor do movimento nas comemorações de Aparecida do Norte. Tem peso, tem força.
Havia 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo estimativas oficiais. E outras manifestações ocorreram também no Rio, em São Paulo e quase duas dezenas de cidades.
Há quem desdenhe desse tipo de articulação, basicamente liderada por setores da classe média urbana, que se vale agora das preciosas redes sociais da internet. Mas, sinceramente, eu dou o maior valor. Em vez de se indignar no sossego do seu lar, as pessoas estão indo às ruas exercer seu direito de gritar, pressionar, cobrar.
É assim que funciona a democracia. É assim que se mudam as coisas e se determina o futuro.
Eliane Cantanhêde é colunista da Folha
Em vez de palavras de ordem genéricas contra a corrupção, os organizadores focaram temas específicos: a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, em votação no Supremo, a garantia das prerrogativas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para investigar juízes, idem, fim do voto secreto de deputados e senadores, em análise no Congresso, e combate sério à evasão de divisas.
Foi uma manifestação sem partidos, sem UNE, sem sindicatos, mas com apoio da OAB e da CNBB. Aliás, o presidente desta entidade, Dom Raymundo Damasceno, deu declaração pública a favor do movimento nas comemorações de Aparecida do Norte. Tem peso, tem força.
Havia 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo estimativas oficiais. E outras manifestações ocorreram também no Rio, em São Paulo e quase duas dezenas de cidades.
Há quem desdenhe desse tipo de articulação, basicamente liderada por setores da classe média urbana, que se vale agora das preciosas redes sociais da internet. Mas, sinceramente, eu dou o maior valor. Em vez de se indignar no sossego do seu lar, as pessoas estão indo às ruas exercer seu direito de gritar, pressionar, cobrar.
É assim que funciona a democracia. É assim que se mudam as coisas e se determina o futuro.
Eliane Cantanhêde é colunista da Folhaquinta-feira, 13 de outubro de 2011
MASSA MANSA O Estadão
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Desmotivadas, as pessoas reclamam da desmotivação geral por intermédio de meia dúzia de motivados que se perguntam qual a razão de tanta apatia.
Têm sido comuns as comparações ora com mobilizações de outrora - aí sempre lembrados os movimentos de rua em favor das Diretas Já e do impeachment de Fernando Collor - ora com marchas menos ortodoxas que as organizadas (se é que se aplica o termo) pela internet para protestar contra a corrupção.
Naquelas as presenças eram contadas na casa dos milhões, quantidades que hoje levam às ruas gente motivada pela religião ou pelo simples prazer de farrear sob a bandeira do combate à discriminação.
Quando o assunto é corrupção os números são infinitamente mais modestos: falou-se em 20 mil nos protestos de setembro, calculou-se em 2 mil (SP), no máximo 11 mil (DF), o público presente aos atos marcados para ontem.
Fez sucesso um recente artigo do correspondente do espanhol El País, Juan Arias, questionando a capacidade do brasileiro de reagir "à falta de ética de muitos que os governam". O jornalista resumiu no texto a perplexidade que há algum tempo permeia o ambiente.
A questão lançada por Arias tem sido respondida de diversas formas, sendo a mais comum delas a que atribui a indiferença da maioria ao fato de o governo do PT ter cooptado os movimentos sociais, as entidades estudantis e sindicais e conseguido estabelecer a (falsa) premissa de que protesto contra a corrupção é coisa "da direita", "golpismo" e "farisaísmo".
Há verdade nisso. Basta ver na internet as várias manifestações de desqualificação da iniciativa. É um fator inibidor realmente. Mas não é o único.
O que parece faltar mesmo é apelo, condução e organização. As marchas bem sucedidas e que são usadas como comparativos reúnem esse fatores, mas têm, sobretudo, gente por trás comandando a massa.
Nenhum movimento surge do nada, por geração totalmente espontânea. Nas Diretas Já havia o apelo da aprovação da emenda Dante de Oliveira e o comando da oposição. Os políticos foram para as ruas, organizaram os atos e davam consequência política a cada um deles.
No impeachment de Fernando Collor havia uma CPI no Congresso, havia o ineditismo das revelações que eram feitas quase que diariamente, havia a raiva encubada pelo confisco da poupança e houve o inusitado chamamento do então presidente para que os cidadãos o defendessem nas ruas vestidos de amarelo (a cor das diretas), que resultou num espetacular tiro pela culatra.
Hoje o que há? Os políticos são o alvo e, portanto, não têm credibilidade nem motivação para organizar o que quer que seja; o cinismo engajado põe gente com capacidade de liderança contra a causa; o desengajado acha que o Brasil é mesmo assim, inclusive porque nos últimos tempos foi convencido a abraçar a tese de uma vez por todas; e, depois da adesão do PT aos velhos vícios, falta quem vocalize institucionalmente a indignação "contra tudo que está aí".
O resultado é a dispersão traduzida na indiferença que poderia nos levar a uma constrangedora interrogação: "E quem disse que o brasileiro está real e definitivamente convencido de que a corrupção é uma ameaça concreta a ser combatida?".
Talvez esteja bem menos interessado no assunto do que supõem meia dúzia de motivados preocupados com a desmotivação geral.
Omissão. Para que serve a proximidade do governo federal com os sindicatos - cujos representantes se espalham pela máquina pública e cujos cofres são mantidos cheios e longe de quaisquer fiscalizações por influência oficial - se não serve para estabelecer uma mediação eficaz a greves que prejudicam milhões de pessoas? Só há uma conclusão possível: serve para assegurar apoio político-eleitoral a um grupo político, numa união do útil (para o governo) ao desagradável (para o público).
Na hora das benesses vale a regra da tutela, mas na hora de atender ao interesse coletivo vigora o conceito da liberdade sindical de uns como licença para impor prejuízo a todos.
Têm sido comuns as comparações ora com mobilizações de outrora - aí sempre lembrados os movimentos de rua em favor das Diretas Já e do impeachment de Fernando Collor - ora com marchas menos ortodoxas que as organizadas (se é que se aplica o termo) pela internet para protestar contra a corrupção.
Naquelas as presenças eram contadas na casa dos milhões, quantidades que hoje levam às ruas gente motivada pela religião ou pelo simples prazer de farrear sob a bandeira do combate à discriminação.
Quando o assunto é corrupção os números são infinitamente mais modestos: falou-se em 20 mil nos protestos de setembro, calculou-se em 2 mil (SP), no máximo 11 mil (DF), o público presente aos atos marcados para ontem.
Fez sucesso um recente artigo do correspondente do espanhol El País, Juan Arias, questionando a capacidade do brasileiro de reagir "à falta de ética de muitos que os governam". O jornalista resumiu no texto a perplexidade que há algum tempo permeia o ambiente.
A questão lançada por Arias tem sido respondida de diversas formas, sendo a mais comum delas a que atribui a indiferença da maioria ao fato de o governo do PT ter cooptado os movimentos sociais, as entidades estudantis e sindicais e conseguido estabelecer a (falsa) premissa de que protesto contra a corrupção é coisa "da direita", "golpismo" e "farisaísmo".
Há verdade nisso. Basta ver na internet as várias manifestações de desqualificação da iniciativa. É um fator inibidor realmente. Mas não é o único.
O que parece faltar mesmo é apelo, condução e organização. As marchas bem sucedidas e que são usadas como comparativos reúnem esse fatores, mas têm, sobretudo, gente por trás comandando a massa.
Nenhum movimento surge do nada, por geração totalmente espontânea. Nas Diretas Já havia o apelo da aprovação da emenda Dante de Oliveira e o comando da oposição. Os políticos foram para as ruas, organizaram os atos e davam consequência política a cada um deles.
No impeachment de Fernando Collor havia uma CPI no Congresso, havia o ineditismo das revelações que eram feitas quase que diariamente, havia a raiva encubada pelo confisco da poupança e houve o inusitado chamamento do então presidente para que os cidadãos o defendessem nas ruas vestidos de amarelo (a cor das diretas), que resultou num espetacular tiro pela culatra.
Hoje o que há? Os políticos são o alvo e, portanto, não têm credibilidade nem motivação para organizar o que quer que seja; o cinismo engajado põe gente com capacidade de liderança contra a causa; o desengajado acha que o Brasil é mesmo assim, inclusive porque nos últimos tempos foi convencido a abraçar a tese de uma vez por todas; e, depois da adesão do PT aos velhos vícios, falta quem vocalize institucionalmente a indignação "contra tudo que está aí".
O resultado é a dispersão traduzida na indiferença que poderia nos levar a uma constrangedora interrogação: "E quem disse que o brasileiro está real e definitivamente convencido de que a corrupção é uma ameaça concreta a ser combatida?".
Talvez esteja bem menos interessado no assunto do que supõem meia dúzia de motivados preocupados com a desmotivação geral.
Omissão. Para que serve a proximidade do governo federal com os sindicatos - cujos representantes se espalham pela máquina pública e cujos cofres são mantidos cheios e longe de quaisquer fiscalizações por influência oficial - se não serve para estabelecer uma mediação eficaz a greves que prejudicam milhões de pessoas? Só há uma conclusão possível: serve para assegurar apoio político-eleitoral a um grupo político, numa união do útil (para o governo) ao desagradável (para o público).
Na hora das benesses vale a regra da tutela, mas na hora de atender ao interesse coletivo vigora o conceito da liberdade sindical de uns como licença para impor prejuízo a todos.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Ei!, PSDB, o mundo não vai acabar em três anos!!!!!!! Estadão.12/10/2011
José Nêumane, jornalista e escritor, é editorialista do 'Jornal da Tarde' - O Estado de S.Paulo
Alguém faria um grande favor à oposição e às instituições do Estado Democrático de Direito no Brasil se lembrasse ao tucanato de alta plumagem que ainda faltam mais de três anos para a eleição presidencial e, antes dela, está agendada uma disputa por votos em todos os municípios brasileiros. Os dois principais ex-governadores do Brasil, o de São Paulo, José Serra, e o de Minas Gerais, Aécio Neves, agem como se ambos não tivessem acabado de protagonizar um dos maiores malogros eleitorais da História do Brasil: a derrota para uma adversária jejuna, desprovida de cintura e sem nenhum charme pessoal, dispondo apenas da alavanca do extraordinário prestígio eleitoral de um presidente no fim do segundo mandato. Quem perdeu foi Serra, dirão os adeptos de Aécio, como se este não tivesse trocado o governo de um Estado da importância capital que Minas Gerais sempre teve no cenário político nacional por um desempenho pífio e impotente num Congresso no qual à legenda dos dois não se atribui sequer o papel de figurante interpretando uma horda indígena num western spaghetti.
"Se for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma", disse o neto de Tancredo Neves à repórter Christiane Samarco, da sucursal deste Estado em Brasília. Depois da divulgação do feito espetacular da presidente, que ultrapassou o índice alcançado por seus dois popularíssimos antecessores em princípio de governo, Fernando Henrique Cardoso, correligionário de Aécio, e Lula da Silva, companheiro de Dilma, na terceira avaliação de desempenho pessoal e de governo, a afirmação do mineiro está mais para bravata do que para promessa. É claro que até 2014 muita água movimentará os moinhos eleitorais e, com Mantega e Tombini e sem Palocci nem Meirelles, a chefe do governo pode dar com seus burros nessas águas. Mas, mesmo na política, uma dama mais trêfega e caprichosa do que a cantada por Rossini na ópera O Barbeiro de Sevilha, o anúncio soa mais como bilhete de suicida do que como convite para festa. Será que Sua Excelência não percebeu que um partido incapaz de constituir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e de aproveitar as oportunidades que o PT e seus aliados têm dado não terá chance de chegar ao topo?
O senador das Alterosas disse que o partido dele e de Serra "amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos unidos, ou não teremos êxito". Bem, essa poderia ter sido a amarga lição da derrota para Dilma, provocada pela convicção de Serra de que é melhor perder para os petistas a eleição e a Presidência do que ter de compartilhar o eventual poder após a vitória com os adversários internos de Minas e por ter Aécio preferido a solidão do plenário ao convívio com um parceiro hostil e enfezado. A prova, contudo, de que a lição dolorosa não foi devidamente aprendida, nem sequer assimilada, é a sofreguidão com que, contrariando a prudência dos ancestrais, o neto do símbolo do político manhoso de Minas opta pelo fato consumado, encerrando a conversa ao pé do borralho.
Se a afirmação de Aécio se apoiasse em fatos, ele não teria assumido publicamente o que todo mundo, inclusive Serra, está careca de saber, mas consumiria o imenso tempo de ócio que lhe permite o mandato senatorial de oito anos para encontrar uma solução para desalojar os adversários federais do comando da capital de seu Estado. Ao que parece, o inegável êxito obtido pelo ex-governador em sua bem-sucedida gestão não foi suficiente para permitir que ouça o óbvio ululante de que lhe será menos difícil apear do vagão compartilhado com petistas e aliados a substituir na prefeitura de Belo Horizonte do que derrotar seja Lula, seja Dilma, que, sem dúvida, terão o voto dos aliados locais de ocasião dele.
Mais fácil ainda será para seu desafeto paulistano derrotar na disputa municipal em São Paulo Fernando Haddad, candidato petista da preferência de Lula, ou Gabriel Chalita, mesmo que o noviço peemedebista receba de Alckmin, amigo tucano no governo estadual, mais suporte do que lhe permite a camisa de força partidária. No entanto, Serra não admite sequer discutir a hipótese, de vez que a vitória municipal significará o fim de qualquer ilusão presidencial em 2014. A impotência da cadeira isolada no Senado de nada serviu a Aécio, que também se mostra incapaz de aprender que o capricho dos eleitores reduz a pó vãs ilusões de projetos aparentemente imbatíveis. E a humilhação de perder para um poste arrastado por um mito também não demoveu em um milímetro a prepotência de Serra, que apanha, mas não aprende.
Com um cacife menor do que o de ambos, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, acaba de lhes prestar inestimável serviço ao demonstrar que o desmanche da oposição é muito mais iminente do que sonham os caciques sem índios do PSDB e os coronéis sem jagunços do DEM. A porta de emergência aberta pelo PSD para a fuga dos oposicionistas que não suportarão mais um mandato longe dos cabides das máquinas públicas municipais, estaduais e federal transmite um sinal claro aos ex-governadores dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. Ou eles cuidam de fortalecer as máquinas partidárias do PSDB e do DEM - não criando diretórios onde não existem, mas mantendo as prefeituras de que dispõem e tomando outras de adversários, ainda que se fantasiem de aliados locais -, ou não terão nenhuma chance na disputa presidencial, seja a chapa adversária encabeçada por Lula, Dilma, Marta ou Mantega.
Fato é que 2014 ainda está muito longe no tempo e é quase inalcançável pelo bico dos tucanos, por mais longo e faminto que seja. Mas não é o fim do mundo nem a data da última disputa presidencial no Brasil. Aécio pode muito bem esperar. Serra, nem tanto. Mas antes um galho para pousar e um ninho para se abrigar do que o abismo inevitável de mais uma queda anunciada.
"Se for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma", disse o neto de Tancredo Neves à repórter Christiane Samarco, da sucursal deste Estado em Brasília. Depois da divulgação do feito espetacular da presidente, que ultrapassou o índice alcançado por seus dois popularíssimos antecessores em princípio de governo, Fernando Henrique Cardoso, correligionário de Aécio, e Lula da Silva, companheiro de Dilma, na terceira avaliação de desempenho pessoal e de governo, a afirmação do mineiro está mais para bravata do que para promessa. É claro que até 2014 muita água movimentará os moinhos eleitorais e, com Mantega e Tombini e sem Palocci nem Meirelles, a chefe do governo pode dar com seus burros nessas águas. Mas, mesmo na política, uma dama mais trêfega e caprichosa do que a cantada por Rossini na ópera O Barbeiro de Sevilha, o anúncio soa mais como bilhete de suicida do que como convite para festa. Será que Sua Excelência não percebeu que um partido incapaz de constituir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e de aproveitar as oportunidades que o PT e seus aliados têm dado não terá chance de chegar ao topo?
O senador das Alterosas disse que o partido dele e de Serra "amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos unidos, ou não teremos êxito". Bem, essa poderia ter sido a amarga lição da derrota para Dilma, provocada pela convicção de Serra de que é melhor perder para os petistas a eleição e a Presidência do que ter de compartilhar o eventual poder após a vitória com os adversários internos de Minas e por ter Aécio preferido a solidão do plenário ao convívio com um parceiro hostil e enfezado. A prova, contudo, de que a lição dolorosa não foi devidamente aprendida, nem sequer assimilada, é a sofreguidão com que, contrariando a prudência dos ancestrais, o neto do símbolo do político manhoso de Minas opta pelo fato consumado, encerrando a conversa ao pé do borralho.
Se a afirmação de Aécio se apoiasse em fatos, ele não teria assumido publicamente o que todo mundo, inclusive Serra, está careca de saber, mas consumiria o imenso tempo de ócio que lhe permite o mandato senatorial de oito anos para encontrar uma solução para desalojar os adversários federais do comando da capital de seu Estado. Ao que parece, o inegável êxito obtido pelo ex-governador em sua bem-sucedida gestão não foi suficiente para permitir que ouça o óbvio ululante de que lhe será menos difícil apear do vagão compartilhado com petistas e aliados a substituir na prefeitura de Belo Horizonte do que derrotar seja Lula, seja Dilma, que, sem dúvida, terão o voto dos aliados locais de ocasião dele.
Mais fácil ainda será para seu desafeto paulistano derrotar na disputa municipal em São Paulo Fernando Haddad, candidato petista da preferência de Lula, ou Gabriel Chalita, mesmo que o noviço peemedebista receba de Alckmin, amigo tucano no governo estadual, mais suporte do que lhe permite a camisa de força partidária. No entanto, Serra não admite sequer discutir a hipótese, de vez que a vitória municipal significará o fim de qualquer ilusão presidencial em 2014. A impotência da cadeira isolada no Senado de nada serviu a Aécio, que também se mostra incapaz de aprender que o capricho dos eleitores reduz a pó vãs ilusões de projetos aparentemente imbatíveis. E a humilhação de perder para um poste arrastado por um mito também não demoveu em um milímetro a prepotência de Serra, que apanha, mas não aprende.
Com um cacife menor do que o de ambos, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, acaba de lhes prestar inestimável serviço ao demonstrar que o desmanche da oposição é muito mais iminente do que sonham os caciques sem índios do PSDB e os coronéis sem jagunços do DEM. A porta de emergência aberta pelo PSD para a fuga dos oposicionistas que não suportarão mais um mandato longe dos cabides das máquinas públicas municipais, estaduais e federal transmite um sinal claro aos ex-governadores dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. Ou eles cuidam de fortalecer as máquinas partidárias do PSDB e do DEM - não criando diretórios onde não existem, mas mantendo as prefeituras de que dispõem e tomando outras de adversários, ainda que se fantasiem de aliados locais -, ou não terão nenhuma chance na disputa presidencial, seja a chapa adversária encabeçada por Lula, Dilma, Marta ou Mantega.
Fato é que 2014 ainda está muito longe no tempo e é quase inalcançável pelo bico dos tucanos, por mais longo e faminto que seja. Mas não é o fim do mundo nem a data da última disputa presidencial no Brasil. Aécio pode muito bem esperar. Serra, nem tanto. Mas antes um galho para pousar e um ninho para se abrigar do que o abismo inevitável de mais uma queda anunciada.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O SÁBIO LULA APEDEUTA da SILVA
Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora; e-mail: rive2011@gmail.com - O Estado de S.Paulo
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora; e-mail: rive2011@gmail.com - O Estado de S.Paulo
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
CLUB da LUTA O Estado de São Paulo
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
O mais recente charivari entre tucanos, envolvendo a exclusão do ex-governador José Serra e do senador Aloysio Nunes do programa de TV do PSDB paulista, seria só mais uma escaramuça entre correligionários não fosse também uma perfeita tradução da incapacidade do partido de se acertar internamente e tocar a vida em frente.
Aloysio reclamou no Twitter e o governador Geraldo Alckmin respondeu pelos jornais com uma desculpa esfarrapada - redução do tempo do programa - e a promessa de que no próximo serão todos devidamente "prestigiados".
Indigência total de espíritos. Como de resto têm sido as ações oriundas de um PSDB em crise de abstinência provavelmente resultante do poder precoce conquistado (em 1994) apenas seis anos após a fundação do partido (em 1988).
Uma hora é a briga pela "tomada" da máquina do partido, outra hora é a contratação de pesquisa para definir rumos e que só produz novos desacertos e, com frequência, propostas de temas para reflexão a fim de motivar ações são desqualificados internamente numa autofagia intelectual de dar dó.
Tucanos não conversam com tucanos a não ser que pertençam ao mesmo grupo de afinidades eleitorais, enquanto a direção do partido só se manifesta para dizer que vai tudo bem enquanto as evidências mostram como tudo vai mal.
Vivem de subterfúgios, troca de ironias, gestuais minúsculos e atos isolados em prol deste ou daquele interesse sem que haja qualquer formulação estratégica que indique à sociedade que por trás da sigla exista um partido.
O PSDB hoje é uma confederação de emburrados sem rumo, cuja principal ocupação é dar vazão a ressentimentos mútuos por intermédio de atos e palavras que não se conectam entre si.
Nada tem lógica ali: a atuação dos governadores não se comunica com a ação das bancadas no Congresso, que por sua vez não conseguem estabelecer uma conduta que transmita minimamente uma noção de conjunto.
As lideranças alimentam o clima interno de tensão sempre culpando o grupo rival por fazê-lo, sem coragem de explicitar nem de resolver as divergências.
Quando explode em público a discordância, improvisa-se uma cenografia qualquer para simular convergência, acumulando conflitos não resolvidos, que resultam na falta de unidade nas campanhas eleitorais importantes. Nelas há sempre um grupo a solapar o outro, o que se não acaba em derrota produz revanche.
Vem sendo assim desde a fundação, mas foi a partir de 2002 que a paralisia do PSDB em função dos ódios internos se tornou visível a olho nu.
A revitalização do partido é uma promessa eterna. Inexequível, porém, enquanto ali predominar a hipocrisia e a omissão.
Moral. O governador Geraldo Alckmin está interessadíssimo em pedir abertura de investigação para apurar denúncia do deputado Roque Barbiere de que parlamentares vendem emendas para empreiteiras na Assembleia Legislativa de São Paulo. Mas só o fará quando, e se, aparecerem os nomes dos acusados.
Antigamente, quando as palavras ainda correspondiam aos seus significados de origem, investigar queria dizer descobrir. Mas, nestes tempos de eufemismos, "investigação" refere-se ao que já foi descoberto.
Por essa e algumas outras é que a oposição perde autoridade para cobrar o que quer que seja da situação.
Na prática. Nova regra em vigor na Polícia Militar do Rio de Janeiro obriga a que só sejam nomeados para o comando dos batalhões policiais cujas fichas funcionais e criminais não registrem antecedentes.
Só entra quem passar pela triagem da corregedoria e do setor de inteligência da PM.
Parece até absurdo que exigência precise ser explicitada, mas partidos e governos também deveriam estabelecer vida pregressa livre de maus antecedentes para registro de candidaturas e nomeação para cargos de confiança e, no entanto, o País está na dependência de o Supremo Tribunal Federal considerar ou não a Lei da Ficha Limpa constitucional para que se atente ao óbvio.
Aloysio reclamou no Twitter e o governador Geraldo Alckmin respondeu pelos jornais com uma desculpa esfarrapada - redução do tempo do programa - e a promessa de que no próximo serão todos devidamente "prestigiados".
Indigência total de espíritos. Como de resto têm sido as ações oriundas de um PSDB em crise de abstinência provavelmente resultante do poder precoce conquistado (em 1994) apenas seis anos após a fundação do partido (em 1988).
Uma hora é a briga pela "tomada" da máquina do partido, outra hora é a contratação de pesquisa para definir rumos e que só produz novos desacertos e, com frequência, propostas de temas para reflexão a fim de motivar ações são desqualificados internamente numa autofagia intelectual de dar dó.
Tucanos não conversam com tucanos a não ser que pertençam ao mesmo grupo de afinidades eleitorais, enquanto a direção do partido só se manifesta para dizer que vai tudo bem enquanto as evidências mostram como tudo vai mal.
Vivem de subterfúgios, troca de ironias, gestuais minúsculos e atos isolados em prol deste ou daquele interesse sem que haja qualquer formulação estratégica que indique à sociedade que por trás da sigla exista um partido.
O PSDB hoje é uma confederação de emburrados sem rumo, cuja principal ocupação é dar vazão a ressentimentos mútuos por intermédio de atos e palavras que não se conectam entre si.
Nada tem lógica ali: a atuação dos governadores não se comunica com a ação das bancadas no Congresso, que por sua vez não conseguem estabelecer uma conduta que transmita minimamente uma noção de conjunto.
As lideranças alimentam o clima interno de tensão sempre culpando o grupo rival por fazê-lo, sem coragem de explicitar nem de resolver as divergências.
Quando explode em público a discordância, improvisa-se uma cenografia qualquer para simular convergência, acumulando conflitos não resolvidos, que resultam na falta de unidade nas campanhas eleitorais importantes. Nelas há sempre um grupo a solapar o outro, o que se não acaba em derrota produz revanche.
Vem sendo assim desde a fundação, mas foi a partir de 2002 que a paralisia do PSDB em função dos ódios internos se tornou visível a olho nu.
A revitalização do partido é uma promessa eterna. Inexequível, porém, enquanto ali predominar a hipocrisia e a omissão.
Moral. O governador Geraldo Alckmin está interessadíssimo em pedir abertura de investigação para apurar denúncia do deputado Roque Barbiere de que parlamentares vendem emendas para empreiteiras na Assembleia Legislativa de São Paulo. Mas só o fará quando, e se, aparecerem os nomes dos acusados.
Antigamente, quando as palavras ainda correspondiam aos seus significados de origem, investigar queria dizer descobrir. Mas, nestes tempos de eufemismos, "investigação" refere-se ao que já foi descoberto.
Por essa e algumas outras é que a oposição perde autoridade para cobrar o que quer que seja da situação.
Na prática. Nova regra em vigor na Polícia Militar do Rio de Janeiro obriga a que só sejam nomeados para o comando dos batalhões policiais cujas fichas funcionais e criminais não registrem antecedentes.
Só entra quem passar pela triagem da corregedoria e do setor de inteligência da PM.
Parece até absurdo que exigência precise ser explicitada, mas partidos e governos também deveriam estabelecer vida pregressa livre de maus antecedentes para registro de candidaturas e nomeação para cargos de confiança e, no entanto, o País está na dependência de o Supremo Tribunal Federal considerar ou não a Lei da Ficha Limpa constitucional para que se atente ao óbvio.
domingo, 2 de outubro de 2011
Imagem do Brasil 62ºlugar!!!!!! Como é visto pelo ESTRANGEIRO!!!
CARLOS HEITOR CONY
Retrato 3x4
RIO DE JANEIRO - Um instituto de pesquisa, não me lembro se britânico ou americano, divulgou na semana passada um ranking de países cuja imagem, para efeito cultural e turístico, interessa ao homem comum de todas as partes do mundo.
Não pesquisou a economia nem o comércio, apenas as condições que possam atrair o interesse daqueles que desejam conhecer melhor este mundo, antes de partirem para conhecer o outro.
Desde os oito anos do governo Lula e nove meses do atual, as autoridades brasileiras vêm arrotando ser uma das maiores economias mundiais. Reconheço que as coisas mudaram, subimos de patamar, mas não tanto.
Ativando o consumo e executando programas assistenciais (como o Bolsa Família), milhões de brasileiros ascenderam a uma classe superior, mas não o bastante.
A imagem do país melhorou lá fora em termos de investimentos, mas não em condições de vida. Na pesquisa divulgada ficamos em 62º lugar.
Ainda há gente que acredita piamente que as cobras passeiam pela avenida Rio Branco, que em São Paulo os trombadinhas matam os turistas, que a madeira da Amazônia só serve para fabricar palitos, que aos 13 anos as meninas se prostituem, que o policiamento das ruas é feito por traficantes.
Exagero à parte, o fato é que em termos de infraestrutura merecemos o vergonhoso lugar no ranking mundial. Os três pontos fundamentais de uma sociedade adiantada -saúde, educação e segurança- não acompanharam o desenvolvimento industrial e comercial dos últimos anos. Doentes morrem nos corredores dos hospitais, a educação é precária e a segurança, hipotética.
Compreende-se a preocupação da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional. A taxa de corrupção e o atraso nas obras necessárias para os dois eventos podem resultar num vexame nacional.
Folha de S.Paulo, 02/10/2011
Retrato 3x4
RIO DE JANEIRO - Um instituto de pesquisa, não me lembro se britânico ou americano, divulgou na semana passada um ranking de países cuja imagem, para efeito cultural e turístico, interessa ao homem comum de todas as partes do mundo.
Não pesquisou a economia nem o comércio, apenas as condições que possam atrair o interesse daqueles que desejam conhecer melhor este mundo, antes de partirem para conhecer o outro.
Desde os oito anos do governo Lula e nove meses do atual, as autoridades brasileiras vêm arrotando ser uma das maiores economias mundiais. Reconheço que as coisas mudaram, subimos de patamar, mas não tanto.
Ativando o consumo e executando programas assistenciais (como o Bolsa Família), milhões de brasileiros ascenderam a uma classe superior, mas não o bastante.
A imagem do país melhorou lá fora em termos de investimentos, mas não em condições de vida. Na pesquisa divulgada ficamos em 62º lugar.
Ainda há gente que acredita piamente que as cobras passeiam pela avenida Rio Branco, que em São Paulo os trombadinhas matam os turistas, que a madeira da Amazônia só serve para fabricar palitos, que aos 13 anos as meninas se prostituem, que o policiamento das ruas é feito por traficantes.
Exagero à parte, o fato é que em termos de infraestrutura merecemos o vergonhoso lugar no ranking mundial. Os três pontos fundamentais de uma sociedade adiantada -saúde, educação e segurança- não acompanharam o desenvolvimento industrial e comercial dos últimos anos. Doentes morrem nos corredores dos hospitais, a educação é precária e a segurança, hipotética.
Compreende-se a preocupação da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional. A taxa de corrupção e o atraso nas obras necessárias para os dois eventos podem resultar num vexame nacional.
Folha de S.Paulo, 02/10/2011
Os ROYALTIES vâo para quem mesmo??? Folha de S. Paulo-02/10/2011
ELIANE CANTANHÊDE
O petróleo é de quem mesmo?
BRASÍLIA - Os Estados produtores e não produtores vivem uma guerra pelos royalties do petróleo que o Planalto cansou de mediar e que deverá ser decidida no Senado nesta semana. Mas e o povo com isso?
Tudo indica que a guerra é pela quantidade, não pela qualidade dos recursos, não exatamente pelo bem-estar que podem levar às populações mais pobres de uns e de outros.
Senão, vejamos o que a consultoria Macroplan apurou num passeio pelos dados e pelas ruas de cidades que foram beneficiadas diretamente com o petróleo jorrando em forma de reais e dólares.
Macaé, conhecida como a capital do petróleo brasileiro, de fato cresceu e apareceu, com um pulo populacional de 65 mil para 200 mil habitantes desde os anos 1970 até agora e com um PIB per capita de R$ 42 mil, em valores de 2008, que corresponde ao dobro da média do Estado do Rio e o triplo da nacional. Mas só 17% dos domicílios têm saneamento básico, os índices de educação são baixos e os de homicídios, muito altos.
Presidente Kennedy (ES) também recebe grande volume de royalties, com o segundo maior PIB per capita do Estado e uma das maiores taxas de crescimento do país. Mas... tem resultados do Ideb muito inferiores à média estadual, 17% de analfabetos e só 38% dos domicílios com saneamento básico. Está na 62ª posição entre 78 municípios pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e no 2.688º lugar no ranking nacional.
A conclusão é que royalties são bons e todo mundo gosta -especialmente governadores e prefeitos, sobretudo em ano eleitoral-, mas não garantem em si distribuição de renda, educação, saúde, saneamento, bem-estar e segurança.
Logo, a guerra "de cima" para atrair os recursos deveria ser acompanhada de uma outra guerra, "de baixo", para garantir a aplicação devida e a distribuição necessária. Do contrário, o petróleo é nosso, mas não chega a quem mais precisa.
elianec@uol.com.br
O petróleo é de quem mesmo?
BRASÍLIA - Os Estados produtores e não produtores vivem uma guerra pelos royalties do petróleo que o Planalto cansou de mediar e que deverá ser decidida no Senado nesta semana. Mas e o povo com isso?
Tudo indica que a guerra é pela quantidade, não pela qualidade dos recursos, não exatamente pelo bem-estar que podem levar às populações mais pobres de uns e de outros.
Senão, vejamos o que a consultoria Macroplan apurou num passeio pelos dados e pelas ruas de cidades que foram beneficiadas diretamente com o petróleo jorrando em forma de reais e dólares.
Macaé, conhecida como a capital do petróleo brasileiro, de fato cresceu e apareceu, com um pulo populacional de 65 mil para 200 mil habitantes desde os anos 1970 até agora e com um PIB per capita de R$ 42 mil, em valores de 2008, que corresponde ao dobro da média do Estado do Rio e o triplo da nacional. Mas só 17% dos domicílios têm saneamento básico, os índices de educação são baixos e os de homicídios, muito altos.
Presidente Kennedy (ES) também recebe grande volume de royalties, com o segundo maior PIB per capita do Estado e uma das maiores taxas de crescimento do país. Mas... tem resultados do Ideb muito inferiores à média estadual, 17% de analfabetos e só 38% dos domicílios com saneamento básico. Está na 62ª posição entre 78 municípios pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e no 2.688º lugar no ranking nacional.
A conclusão é que royalties são bons e todo mundo gosta -especialmente governadores e prefeitos, sobretudo em ano eleitoral-, mas não garantem em si distribuição de renda, educação, saúde, saneamento, bem-estar e segurança.
Logo, a guerra "de cima" para atrair os recursos deveria ser acompanhada de uma outra guerra, "de baixo", para garantir a aplicação devida e a distribuição necessária. Do contrário, o petróleo é nosso, mas não chega a quem mais precisa.
elianec@uol.com.br
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