BRAÇO FORTE MÃO AMIGA

sábado, 28 de janeiro de 2012

OPOSIÇÃO SEM RUMO!!!!!!!!

 Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.

Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.
No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.
Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.
Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato - e por causa do Plano Real, claro.
Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.
Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.
A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.
Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.
Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a "estratégia" apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?
O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.
O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital - apoiado pelo governo e dependente dele - com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.
Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.  
MARCO ANTONIO VILLA, HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

NO REINO DAS BOAS INTENÇÕES !!!!!!!!!!

O Estado de S.Paulo
O governo Dilma Rousseff viveu na segunda-feira, com a realização da primeira reunião ministerial de 2012, um esplendoroso dia de Poliana, dando uma demonstração para lá de eloquente de que entra no segundo ano da nova administração cheio de boas intenções. Para começar, a presidente assinou decreto que cria uma supersecretaria, destinada a reestruturar o funcionamento do primeiro escalão do governo e a monitorar suas ações, que Dilma definiu com entusiasmo aos seus 38 ministros como um sistema de monitoramento online de todo o governo, "um projeto revolucionário, progressista e indispensável para a verdadeira reforma do Estado".

Na reunião, quem mais falou foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prometeu que o País cumprirá este ano a meta de superávit primário sem reduzir os investimentos do PAC ou outros que, ao contrário, serão reforçados, e ainda capitalizará os bancos públicos e manterá os programas sociais responsáveis pelo fortalecimento do mercado interno. Isso tudo apesar dos substanciais cortes no Orçamento que serão anunciados em meados de fevereiro. Tudo indica, portanto, que, apesar da crise financeira que tira o sono de europeus e norte-americanos, mais uma vez o mundo se curvará diante da pujança econômica brasileira. Tomara.
A Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento está sendo criada para impor novos padrões de eficiência aos Ministérios, especialmente por meio da definição de indicadores de controle das despesas de custeio e da avaliação dos procedimentos administrativos de cada pasta. A partir daí poderão ser adotadas medidas de reestruturação administrativa que implicarão extinção ou criação de novos órgãos. É uma iniciativa louvável, até porque implica a admissão de que os vigentes procedimentos administrativos deixam a desejar, mas não elide o fato de que, ao identificar os resultados dessa má gestão, se estará atacando o efeito e não a causa da notória ineficiência administrativa do governo federal. O motivo pelo qual o governo funciona mal é político. É o resultado de o lulopetismo ter levado ao extremo, sem que Dilma Rousseff se revele minimamente disposta a mudar de rumo, o princípio de que, em troca de sustentação política - a tal da governabilidade -, os partidos aliados ao governo tornam-se condôminos do poder com toda a liberdade para agir de acordo com seus interesses eleitorais e o apetite de suas lideranças.
É interessante imaginar, por exemplo, o que dirá a chefe do governo a seu partido, ou a um partido aliado, na hipótese nada improvável de que, cumprindo os objetivos para os quais está sendo criada, a Secretaria de Gestão Pública constatou que este ou aquele Ministério não está dando no couro. A governabilidade permitirá que alguma providência efetiva seja tomada para corrigir a deficiência?
Por outro lado, chega a ser comovente o otimismo demonstrado por Guido Mantega ao definir o panorama e as perspectivas da situação econômico-financeira do País. Haverá quem diga que isso faz parte do papel do ministro da Fazenda. Pode ser, mas certamente não ao preço de subestimar a capacidade de discernimento dos mortais. Afinal, no exato momento em que a economia global caminha trôpega, os sinais de alarme da economia nacional começam a piscar e as tendências inflacionárias se apresentam, soa no mínimo imprudente o exacerbado otimismo do ministro.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MUITO ALÉM DO ESTILO Dora Kramer 24/01/2012

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
A questão da diferença de estilos entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pontuou o início do governo da sucessora e é tida como uma das principais razões dos altos índices de popularidade.

Por esse raciocínio, Dilma agradaria à parcela da população que Lula desagradava e, assim, agregaria novos admiradores sem perder os já conquistados, aumentando o capital político do mesmo projeto de poder.
A tese das diferenças entre um e outro já se prestou a várias leituras, sendo a mais equivocada delas a que enxerga sinais de ruptura em atos como o trato civilizado que Dilma dá à oposição, a ausência de tagarelice diária ou a capacidade de reconhecer o momento em que um ministro perde a condição de permanecer no cargo.
Há que distinguir, no entanto, estilo de padrão. O primeiro guarda relação com a maneira de ser de cada um e o segundo diz respeito aos fundamentos de atuação para a execução de objetivos.
No cotejo com a realidade, o que se vê não são diferenças de padrão. Dilma não trata a imprensa como inimiga da democracia, mas não orienta o seu partido a deixar de lado a proposta de controle social da mídia.
Na política externa não celebra relações com agressores dos direitos humanos, mas ignorou o pedido da cubana Yoani Sanchez para que a ajudasse a conseguir autorização para viajar ao Brasil nem incluiu na agenda de sua próxima visita a Havana - onde acaba de morrer mais um dissidente da ditadura Castro - encontro com a oposição, conforme solicitado.

Quanto às demissões de ministros, Dilma mostrou seus limites ao fazer vista grossa às consultorias de Fernando Pimentel e às estripulias de privilégios a redutos eleitorais e familiares de Fernando Bezerra.
Na campanha eleitoral já em curso a despeito dos parâmetros legais, o assunto das diferenças de maneiras entre Lula e a presidente voltará à baila. Dilma será ou não tão explícita no uso da máquina pública quanto foi o antecessor.
Os primeiros acordes da sinfonia indicam que no estilo pode ser - até por temperamento e vocação -, mas no padrão não necessariamente.
Ficou estabelecido que a eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo é prioridade para o governo federal, o passo essencial para a derrubada da cidadela tucana.
A presidente começou as despedidas do ainda ministro da Educação na semana passada, em Angra dos Reis, aproveitando inauguração de creche para incluí-lo no panteão dos "maiores ministros da Educação deste País", e hoje prepara uma cerimônia que, em termos de presença federal na eleição municipal, terá mais caráter de boas-vindas do que propriamente de adeus.
Tanto que o ato, no Palácio do Planalto, terá a presença de Lula - hoje não mais uma autoridade, mas um cabo eleitoral.

O gesto mais eloquente de que não obstante seja discreta está disposta a pôr o governo a serviço do projeto partidário, foi a transferência da realização do Enem, o exame de avaliação de desempenho que tantos problemas causou aos estudantes do ensino médio, para depois das eleições.
A justificativa: o governo não consegue fazer duas edições do exame. Poderia ser uma decisão técnica fazer apenas a prova já marcada para abril. Mas assume caráter político-eleitoral quando é estrategicamente marcada para o mês de novembro.
Uma medida preventiva que acaba se caracterizando como estelionato eleitoral antecipado por tirar da pauta um tema importante apenas para proteger o candidato de si mesmo.
Área de proteção. Depois da movimentação de entidades de magistrados que resultou em ação judicial para reduzir os poderes do Conselho Nacional de Justiça, surge da mesma fonte uma ofensiva para limitar a área de atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Tanto o CNJ quanto o Coaf funcionavam sem contestação sobre as respectivas atividades. Isso até começarem a importunar excelências do Poder Judiciário, cuja reação parece exprimir o conceito de que legalidade nos olhos alheios é refresco.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pedro Américo Leal A GRANDE CRISE

A GRANDE CRISE                                               

                                                 Pedro Américo Leal.

“O mundo vive época de excessos e de escassez.
Aponta-se os desequilíbrios sociais como os grandes responsáveis pelos rumos da humanidade e, sem pesquisar causas, conclui-se sobre remédios heróicos a serem adotados.
Há quem atribua aos desequilíbrios sociais os fatores de desenvolvimento, como os rompedores da inércia, levando os subdesenvolvidos ao oásis do desenvolvimento.
Diante dos excessos, onde a subversão e o terrorismo constroem  os painéis do anti-humanismo, surgem as cartas-bombas, enviadas a domicílio, recebidas por crianças e donas de casa.
O maior das crises não é de  alimentação, educação, saúde pública, energia elétrica, não! O grande ausente atual é o CHEFE.
Aquele que, devendo ser pago para ser, não é!
Devendo decidir, fica no muro, acertando mais por não falar do que por preferir ou negar.
Poucos dão ordens, quase todos evitam intelectualmente a decisão. A responsabilidade cada vez mais  é dividida pelos trabalhos de equipe e o líder se encobre na cômoda sombra do colegiado.
Em todo mundo, há falta destes  símbolos, sem os quais  a humanidade se atrofia, muito embora a tenham conduzido a melancólicos momentos de impasse, quase desastres.
Em 1971, a revista Parlamento publicava nosso trabalho  sobre o assunto, quando falávamos para 50 líderes jovens, na Vila Medianeira, onde afirmávamos, desagradando a alguns, que as massas, numa dinâmica psicológica um tanto complexa, jamais dispensarão os líderes.
Carregados de defeitos, mas aureolados por fascinantes luminosidade pessoal, transmitindo sempre uma mensagem à coletividade, eles são acima de tudo obstinados, mas  necessários.
Os meios de comunicação social, em sua constante evolução, aumentaram seu campo de ação, poupando-os fisicamente e aumentando seu poder.
Em nosso trabalho, esmiuçamos tudo o que a Psicologia, mormente a social e a profunda, fornece-nos como informações para estudar o fenômeno. Não há  como evitá-los. Há, sim, como contê-los, mas, acima de tudo, oportunizá-los e até patrociná-los.
Vivemos a grande escassez de suas presenças e o império da ilusória e producente era tecnocrática, onde as decisões são, quando muito, despachos que, às vezes, mesmo resolvendo, não arrebatam.
Em Estrela, Geisel, levantando-se num churrasco, deu ao povo uma estrada que pediam e de âmbito estadual, fora de sua programação.
HÁ ESCASSEZ DE DECISÕES!
Campeiam as reformulações, revisões, reflexões e expectativas, apagando no povo a imagem do líder, mas não eliminando-a; ela é latente.
A cautela vestiu-se de tanto exagero que os espermatozóides das decisões, acomodados, buscam ferir os óvulos ociosos da oportunidade, gerando um novo, produto de um computador programado diferente daquele que o povo deseja ver e apertar a mão do HOMEM!
Esses senhores, outrora eram segundo escalão, hoje chamados de indispensáveis, são os preferidos pelos que, no poder temem a concorrência de uma presença magnética.
E, com ares doutorais, barbudos, cabeludos, carecas sem paletó ou sem gravata, invadiram o universo do povo, mas não ocupam lugar. Essa é a grande realidade, um tanto inconveniente.
O povo, função de seu nível cultural,  sempre há de exigir o seu líder. Cabe-nos trabalhar para que ele seja o melhor exemplar do nosso elenco de valores e nunca impedir o seu surgimento.
Essa criaturas têm suas personalidades a dinâmica, embora superficial, mas a mais convidativa, da capacidade de enamorar os liderados. E, por dentro, a força magnética de se comunicar com espontaniedade e tranqüila naturalidade.
Líder é o que decide! SEMPRE! E, hoje em todos os escalões, são produtos de estimação; e como estão fazendo FALTA!!!!!!

                                          Este artigo foi escrito já tem bastante tempo(século 20) mas, ainda está fazendo bastante falta em pleno século 21!!!!!!!!!!!

                                                                                             J.P.Ribeiro